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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 102

Ele com certeza não estava batendo bem da cabeça. Ao ver Alice ali escolhendo vinhos, preocupou-se que ela fosse enganada e se aproximou com a boa intenção de ajudar.

Não esperava que ela o tratasse com aquela atitude!

No entanto, o fato de Alice entender de vinho era algo que Jonas não previu.

Alice... ela não era apenas a mais comum das donas de casa?

Nos últimos anos, ela passava os dias orbitando em torno de Jorge Cavalcanti, de Júlio Cavalcanti e de toda a família Cavalcanti. Tirando o trabalho doméstico, cozinhar e buscar o filho na escola, ela parecia uma mulher amargurada apenas esperando por Jorge.

Na carreira, ela não conseguia ajudar o marido em absolutamente nada, sendo até mesmo incapaz de manter as aparências em eventos sociais.

Essa era a impressão que Jonas mantivera de Alice durante todos aqueles anos.

Porém, a Alice de agora parecia uma pessoa completamente diferente da que ele tinha em mente.

Ela não apenas conseguia consertar um carro com extrema agilidade, como também estava ali em pé, escolhendo vinhos de forma elegante e relaxada, possuindo um repertório de conhecimento sobre a bebida muito superior ao dele...

Foi então que o dono da vinícola se aproximou com o vinho decantado e falou respeitosamente com Jonas:

— Sr. Farias, o seu vinho está pronto.

Jonas, àquela altura, já havia perdido o entusiasmo pela garrafa. Ao observar a forma como Alice olhava para ele — como se encarasse um estranho —, ele teve um impulso inexplicável e ordenou ao gerente da vinícola que lhe servisse uma taça ali mesmo.

O dono da vinícola não fez perguntas; simplesmente serviu a taça e a entregou.

Jonas caminhou até Alice com o vinho na mão:

— Já que você entende tanto, o que acha deste meu vinho com sessenta anos de história?

Alice não nutria nenhuma simpatia por Jonas como pessoa, mas certamente tinha interesse em um vinho de sessenta anos.

Ela pousou a garrafa que segurava, aproximou a ponta do nariz da taça e inalou com delicadeza.

Observando a mulher chegar tão perto de repente e fitando a ponta empinada de seu nariz, a mão de Jonas que segurava a taça tremeu incontrolavelmente.

Foi exatamente esse tremor que espalhou o aroma alcoólico, revelando o problema para Alice.

— Este vinho não tem sessenta anos.

Assim que as palavras saíram, Jonas perdeu a compostura:

— Alice, você sabe o que está dizendo? Paguei uma fortuna por essa garrafa, que baboseira é essa?

— De tanto cheirar, a gente acaba sabendo. — respondeu Alice casualmente.

Na verdade, a única razão pela qual ela dominava o assunto era porque aquela havia sido mais uma das habilidades que o falecido Simão Santos a obrigara a aprender.

Mas ela não tinha motivo nenhum para dar tantas explicações a Jonas.

Depois de escolher um Borgonha de uma safra adequada e pagar a conta rapidamente, Alice saiu da vinícola sem perder tempo.

Ela concluiu que jamais voltaria àquele lugar.

Já que havia decidido se divorciar de Jorge, cortaria de vez as relações com qualquer pessoa ou lugar associado a ele, isolando-se completamente.

Jonas ficou parado ali, perplexo, observando-a pagar e ir embora.

O amigo, que já estava cansado de esperar, saiu para procurá-lo e o encontrou fixado nas costas da jovem. Curioso, perguntou:

— Você a conhece? Ficou observando a garota desde que ela entrou. Quem é ela? Filha de qual família rica?

Os lábios de Jonas se moveram de leve, mas ele não disse absolutamente nada.

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