Sabrina ergueu o rosto, fitando Jorge em silêncio, como se estivesse em choque.
Jorge caminhava à frente e, percebendo que ela não havia respondido a nenhuma das perguntas, parou e olhou para trás.
— O que foi? Por que não responde? Onde está a Alice?
Os olhos de Sabrina vacilaram. Disfarçadamente, ela empurrou o certificado de divórcio, que já estava quase pela metade fora do bolso, de volta para o fundo.
— A senhora veio entregar uma coisa e já foi embora.
Ela não mencionou nada sobre o divórcio.
Jorge não desconfiou de nada, apenas franziu a testa.
— Entregar uma coisa? Que coisa?
Sabrina balançou a cabeça, com um sorriso leve.
— Não sei, isso é assunto particular dela. Não perguntei, nem fiquei bisbilhotando.
Jorge assentiu, prestes a pegar o celular para ligar e perguntar o que ela havia ido entregar, quando ouviu Sabrina falar novamente, com um tom de voz desanimado.
— Eu acho que, na verdade, a senhora voltou porque queria ver o Sr. Jorge. Mas como estava com o orgulho ferido, inventou essa desculpa de entregar alguma coisa. Senão, ela não teria perguntado se o senhor estava assim que pisou na porta.
Ao ouvir aquilo, Jorge parou a mão que estava prestes a discar o número.
Ele achou que a teoria de Sabrina fazia todo o sentido. Afinal, não conseguia imaginar o que de tão urgente Alice precisaria entregar pessoalmente tarde da noite.
Heh. Aquela mulher continuava cheia de joguinhos.
Nunca era direta!
Sabrina observou a expressão de Jorge e continuou:
— Eu disse a ela logo de cara que o senhor não estava, que a empresa andava com problemas graves e que o senhor estava sob muita pressão. Mas ela não acreditou. A senhora tem tanto preconceito contra mim que deve ter achado que eu estava mentindo para impedir que se vissem. Quando percebeu que o senhor realmente não estava, aí sim usou a desculpa da entrega.
Aquela explicação pareceu razoável e perfeitamente aceitável aos ouvidos de Jorge.
— Essa Alice! — Naquele momento, Jorge já nem sabia mais o que pensar dela.
Jorge riu, balançando a cabeça, e continuou subindo as escadas.
— Claro que não. A gerência da empresa e as lideranças técnicas dos departamentos e do laboratório também vão.
Ao ouvir aquilo, o brilho nos olhos de Sabrina se apagou um pouco.
— Ah, é um retiro corporativo?
— Isso. — Jorge assentiu.
Desde que o Diretor Lima cancelara a oportunidade de cooperação exclusiva com a Horizonte, o clima na empresa andava tenso e a gerência sentia-se apreensiva. Aquilo era muito prejudicial para o futuro e a estabilidade da companhia. Por isso, Jorge e Jonas conversaram e decidiram organizar um retiro corporativo no resort, para que todos pudessem relaxar um pouco.
— Já que o Instituto de Pesquisa Alberto Almeida decidiu abrir uma licitação pública, se a Horizonte conseguir se qualificar para o processo, ainda teremos a chance de fechar uma parceria. Antes de mais nada, precisamos acalmar os ânimos de todos.
— Mas o Diretor Lima já bloqueou todos os nossos contatos. Será que vão nos deixar participar da coletiva de imprensa na próxima sexta-feira?
Se eles sequer tivessem acesso à coletiva, jamais conseguiriam encontrar a Diretora do Centro de Pesquisa, a pessoa com a palavra final. E sem isso, como sonhar em participar da licitação?

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