Sem dúvida, ele era confiante, bem-sucedido, respeitado e admirado.
Mas agora...
Em seu rosto ainda restava a marca do tapa desferido pela Sra. Campos, e suas roupas, encharcadas de água do mar e chuva, exalavam um forte cheiro de maresia.
Ele era Jorge Cavalcanti, o Professor Jorge, o Diretor Cavalcanti. Nunca, em toda a sua vida, se sentira tão miserável.
Porém, o que mais o atormentava era a Horizonte Tech, a empresa na qual ele havia investido todo o seu coração.
Esse evento de integração tinha o objetivo de unir a equipe, mas agora, não só o tiro saiu pela culatra, como as coisas pareciam ter piorado drasticamente.
Naquele instante, Jorge sentiu como se o botão de avanço da sua vida tivesse sido desligado por uma mão invisível.
Tudo o que ele enfrentava começava a se deteriorar, e o futuro provavelmente seria ainda pior!
Mas ele não conseguia entender. Ele ainda era ele mesmo, nada havia mudado!
Foi então que uma voz preguiçosa e zombeteira soou à frente dele.
— Daniel, ouvi uma frase recentemente que faz muito sentido.
Era Sebastião Santos.
— Patrão, que frase? — perguntou Daniel Duarte.
Sebastião olhou de soslaio para Jorge no sofá, que parecia um cachorro molhado.
— Aquele que prejudica a esposa afasta toda a riqueza.
Ao ouvir isso, Daniel imediatamente olhou compreensivo para Jorge, notando que o corpo dele enrijeceu de forma óbvia; era claro que havia escutado.
Com um aceno de cabeça exagerado, ele exclamou:
— Faz muito sentido! Por isso, é fundamental tratar bem a esposa!
Sebastião riu com desdém.
— Bobagem. É óbvio que eu vou tratar a minha muito bem.
Daniel apertou os lábios, pensando consigo mesmo: "Patrão, conquiste a Srta. Almeida primeiro antes de falar".
Ele nem a tinha conquistado ainda, estava muito longe de chamá-la de esposa!
Claro, ele não teria a coragem de dizer isso em voz alta.
Jorge ergueu a cabeça e observou Sebastião sair do saguão com seu assistente, entrar no carro e partir. Ficou perdido em pensamentos por um longo tempo.
Aquele que prejudica a esposa afasta toda a riqueza?
Ela só sabia sentir ciúmes infundados, mas não se preocupava verdadeiramente com o marido.
— O que uma dona de casa iria entender? Foi apenas uma coincidência.
Ele não acreditava que Alice realmente entendesse de temperatura, vento ou marés. Foi apenas um acaso o iate ter enfrentado uma tempestade.
Nos dias seguintes, Jonas e Jorge trabalharam incansavelmente para lidar com as consequências do acidente marítimo.
Fizeram relações públicas externamente e apaziguaram os ânimos internamente. Mas isso era apenas um curativo temporário. Sem atrair investimentos, a única esperança que lhes restava era a colaboração com o Instituto de Pesquisa Alberto Almeida.
Se vencessem a licitação, conseguiriam reverter a situação.
Nesses dias, Jorge usou todos os seus contatos e métodos para tentar se encontrar com a Diretora do Centro de Pesquisa, mas tudo foi em vão.
A sexta-feira se aproximava e a Horizonte Tech nem sequer tinha a credencial de acesso à conferência.
Naquele momento, tanto Jonas quanto Jorge mergulharam num profundo desespero.
Foi quando Sabrina invadiu eufórica o escritório de Jorge. Ela, que sempre fora tão contida na empresa, sequer bateu na porta.
— Sr. Jorge! Sr. Farias! Boas notícias! Acabei de receber a ligação de uma amiga, ela disse que pode conseguir para nós as credenciais de entrada na conferência do instituto desta sexta-feira!
Essa amiga de Sabrina trabalhava no Grupo Magna, propriedade da família Santos. Como a Magna colaborava com o Instituto de Pesquisa Alberto Almeida, ela poderia atuar como intermediária para conseguir os convites para a Horizonte Tech.

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