Bruno Mendes franziu a testa, com o rosto expressando puro desgosto por Alice. — Essa mulher não tem limites mesmo. Para continuar perseguindo o Diretor Cavalcanti, ela até veio trabalhar como faxineira aqui dentro? Como é que fazem a triagem? Qualquer pessoa pode passar? E se houver alguma confusão durante a conferência mais tarde, o que faremos?
Um vislumbre de desdém, como se dissesse "eu sabia", passou rapidamente pelos olhos de Sabrina. Em seguida, ela olhou com ansiedade para Jorge. — Sr. Jorge... a Alice...
A frase ficou inacabada, mas soou como se tudo já houvesse sido dito.
Jorge estava com uma expressão sombria, fervendo de raiva por dentro.
As pequenas confusões que Alice aprontava no passado já eram toleráveis, mas dessa vez o cenário era um evento público, uma conferência de altíssimo nível, e, sobretudo, o ponto de virada que definiria o futuro dele e da Horizonte Tech.
Se ela realmente cometesse alguma insanidade motivada por aquele seu ciúme patético e arruinasse tudo, ele jamais a perdoaria!
Ao entrarem no salão principal, já não havia muitas pessoas na fila para passar pela última verificação de segurança.
Com o tempo se esgotando, Jorge nem se deu ao trabalho de procurar por Alice; apressou-se em liderar seu grupo pela inspeção final.
Somente após entrarem com sucesso no recinto da conferência é que ele olhou tenso ao redor, em busca da figura de Alice.
Ele estava realmente preocupado que Alice pudesse importuná-lo sem se importar com a ocasião.
Ele havia lutado muito para conseguir aquela vaga de participação e não queria ser expulso antes mesmo de conhecer a Diretora do Centro de Pesquisa, a pessoa que poderia decidir seu destino.
Ao mesmo tempo, não queria passar vergonha na frente de seus próprios funcionários.
Só de pensar que Alice estava trabalhando ali como faxineira, ele fechava os punhos involuntariamente.
Alice, você realmente faz questão de me humilhar?
Sabrina também estava nervosa. Antes, ela até torcia para que Alice e Jorge brigassem, pois isso a faria parecer mais competente e compreensiva.
Jorge trincou os dentes, apertando os punhos com ainda mais força.
O seu desgosto por Alice atingiu um ápice sem precedentes.
— Vamos focar na conferência primeiro. Quanto a Alice, se ela realmente se atrever a causar problemas... — Os olhos de Jorge pareciam feitos de gelo. — Na pior das hipóteses, diremos que ela é uma doente mental e mandaremos a segurança expulsá-la.
Jorge já havia se decidido. Se Alice fizesse qualquer escândalo, ele cortaria laços com ela de forma implacável. Não admitiria que ela era sua esposa e fingiria nem conhecê-la. Deixaria que a tomassem por louca e a arrastassem para fora!
Com esse pensamento, a tensão na testa de Jorge gradualmente relaxou, e ele voltou sua atenção para os demais participantes no salão.
Ao ouvir as palavras de Jorge, a ansiedade no coração de Sabrina se acalmou.
Sendo assim, ela até começou a desejar que Alice armasse um barraco. Seria ótimo se ela fosse tratada como uma lunática, presa e mandada direto para um hospício.

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