O surgimento repentino de Sebastião era algo que Jorge Cavalcanti não esperava.
Especialmente quando ele o olhava com uma postura de desprezo e superioridade; aquela sensação opressiva de ser subestimado o deixava extremamente desconfortável.
E o que Jorge menos conseguia compreender era que aquele era claramente um assunto particular entre ele e Alice, sem qualquer relação com Sebastião.
Talvez ele apenas estivesse passando por ali e tivesse ouvido suas palavras, pensou Jorge.
Afinal, como uma simples dona de casa que só sabia sentir ciúmes como Alice poderia conhecer Sebastião Santos?
A princípio, ele queria expulsar Alice da conferência antes que ela causasse um escândalo maior.
Mas, com a aproximação de Sebastião, os olhares de quase todos ao redor se concentraram neles.
Jorge engoliu o desconforto causado por aquela atenção e, mantendo as aparências, disse a Sebastião: — Sr. Santos, este é um assunto pessoal entre nós. Nós mesmos resolveremos.
Achou que, dizendo aquilo, Sebastião, com sua natureza altiva e indiferente, não daria mais atenção ao caso.
Inesperadamente, Sebastião não apenas não foi embora, como também se colocou ao lado de Alice.
Em contraste com a frieza que mostrava ao olhar para Jorge, o olhar de Sebastião suavizou-se notavelmente ao se voltar para Alice. — Você e ele... ainda têm algum assunto pessoal a resolver agora?
No momento, Alice só queria ver o Sr. Alberto o mais rápido possível e verificar como ele estava. Ela sequer percebeu algo estranho na pergunta de Sebastião.
Mantendo a expressão fria, ela puxou com força o pulso para se soltar do aperto de Jorge. — Não. Eu e ele não temos mais nada.
Dito isso, Alice virou-se e caminhou em direção à frente do salão.
— Alice! — O olhar de Jorge escureceu bruscamente. Ele estava prestes a estender a mão para detê-la, quando seu corpo foi empurrado para trás por um braço forte.
Era Sebastião.
Ele permanecia ali, reto e imponente. Seu rosto aristocrático exibia uma advertência encharcada de perigo.
— Ela já disse que não tem mais nada a ver com você. Não conseguiu entender? — A voz do homem era baixa, grave, como a de um leão prestes a abater sua presa.
Jorge foi pego de surpresa pelo empurrão e cambaleou, dando dois passos desajeitados para trás.
Ao lado de Jorge, Sabrina observava as costas de Sebastião, com os olhos arregalados de choque.
Era impossível, não podia de forma alguma ser Alice!
Como um magnata de alto escalão do nível de Sebastião Santos poderia se interessar por uma dona de casa como ela!
Jorge e Sabrina negavam a verdade inconscientemente, mas assistiram impotentes enquanto Alice caminhava até a primeira fila e parava em frente à cadeira do Sr. Alberto Almeida.
— Ela... — Os olhos de Jorge tremiam.
Alice realmente conhecia o Sr. Alberto?
Alice inspecionou o Sr. Alberto da cabeça aos pés, minuciosamente. Vendo que a expressão do idoso ainda estava boa, ela suspirou levemente de alívio. — O que o senhor está fazendo aqui? Como está se sentindo? Está com dor em algum lugar?
— Não precisa me olhar assim. Estou bem, muito bem por sinal. — Naquele momento, o Sr. Alberto parecia uma criança teimosa repreendida pelos pais. Diante da preocupação de Alice, seus olhos vacilaram. — Além do mais, eu trouxe médicos comigo. Da minha saúde, eu sei muito bem!
Percebendo que Alice o observava com os olhos ligeiramente vermelhos, Alberto apressou-se em fazer uma cara de bravo. — Eu vim apenas para supervisionar você. Se tiver um desempenho ruim e me envergonhar mais tarde, vai ver só como eu cuido de você.

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