Jorge Cavalcanti observou Yuri Valente intensamente. Ao notar sua postura calma e ausência de pânico, soube que ele estava dizendo a verdade.
Ainda assim, aquilo não significava que Yuri Valente estivesse isento de problemas.
— Então dê uma olhada nestas informações de transferência. Por que a Sabrina só recebeu cinquenta mil este mês? Além disso, a conta bancária da transferência não é a que foi autorizada para você. — Jorge Cavalcanti empurrou o celular de Sabrina Saraiva para a frente de Yuri Valente.
Yuri Valente pegou o celular e deu uma olhada no valor e no número da conta. Bastou um vislumbre para que seu rosto empalidecesse instantaneamente.
Sua calma e tranquilidade anteriores sumiram num piscar de olhos, e seu olhar tornou-se evasivo, em uma nítida demonstração de culpa.
Henrique Cavalcanti também notou a drástica mudança nas feições de Yuri Valente e fixou nele um olhar sombrio e gélido.
Sabrina Saraiva, por sua vez, encarava Yuri Valente com espanto. Ela o considerava um colega de trabalho, de modo que os dois se conheciam razoavelmente bem.
Yuri Valente sempre fora uma pessoa extremamente cautelosa com dinheiro; ela jamais imaginaria que ele pudesse cometer um erro de princípios tão grave.
— Explique-se, Yuri Valente. — Jorge Cavalcanti lançou um olhar de soslaio, tamborilando lentamente os dedos longos sobre a mesa.
Sua voz não era alta, mas carregava uma pressão esmagadora.
O corpo de Yuri Valente vacilou levemente. Ele sabia muito bem que, se não esclarecesse aquele assunto, as consequências seriam devastadoras.
— Todos os meses, eu transfiro um valor fixo de quatrocentos e cinquenta mil reais da sua conta para a família, Diretor Cavalcanti. No entanto... — Levantando a mão para enxugar o suor frio que brotara em sua testa, ele se virou para Jorge Cavalcanti e explicou.
— No entanto, eu não faço transferências separadas para cada um. Em vez disso, repasso os quatrocentos e cinquenta mil integralmente para a sua mãe, todos os meses, em uma data fixa. — Ele fez uma pausa, observando cautelosamente a reação de Jorge Cavalcanti.
— Para ela? — Jorge Cavalcanti não esperava aquele desfecho. — Para a minha mãe?

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