— Eu até posso relevar o chute que ele me deu. Mas ele precisa pagar pelas minhas despesas médicas e me indenizar por danos morais! — Ele apontou para Sebastião Santos e, ao cruzar o olhar com aqueles olhos frios e profundos, não pôde deixar de tremer. Ainda assim, reuniu coragem para falar.
— Bernardo Medeiros, você perdeu o juízo! — A essa altura, nem mesmo o Sr. Zózimo conseguia tolerar aquilo.
— Eu não perdi o juízo! Você é o chefe daqui, deveria estar do nosso lado e fazer justiça por nós! — O rosto de Bernardo ficou lívido ao ser repreendido dessa forma pelo Sr. Zózimo.
O Sr. Zózimo ficou tão furioso que perdeu a fala por um bom tempo.
— Bernardo, você faz ideia de quem é ela?! Como tem a cara de pau de chamá-la de esposa?! — Zeca, que estava ao lado, não aguentou mais ouvir e fuzilou Bernardo com o olhar.
— Quem é ela? Não é só uma forasteira que veio trabalhar aqui? É uma bênção para ela poder se casar com o meu filho! Ele se formou em uma universidade de ponta na cidade grande, é o único jovem promissor que temos por aqui! Muitas moças brigaram para casar com ele e eu nunca deixei. A única razão pela qual a aceitei foi porque ela vem da cidade grande e pode ter algo em comum para conversar com ele. — Dona Perpétua antecipou-se antes mesmo que Bernardo pudesse responder.
— É um trabalho, sim, mas será que todo trabalho é igual? — Zeca engasgou com a audácia, soltando uma risada seca diante da ignorância de Dona Perpétua.
— E por que não seria? O trabalho dela não é praticamente o mesmo dos pedreiros? Passa o dia todo carregando peso, montando um monte de coisa. Qual a diferença? Mesmo assim, nossa família não liga para ela ter pouca cultura e poucos estudos. Basta que, depois do casamento, ela cuide bem de mim e do meu filho, nos dê um neto saudável e pare de andar com outros homens. Para nós, isso já está mais do que bom. — Dona Perpétua continuava tão convicta quanto antes.
Ouvindo o absurdo dito pela Dona Perpétua, o Sr. Zózimo, Zeca e os demais funcionários presentes sentiram um aperto amargo no peito.
Catarina Yunes e o Prof. Lucas Vieira também ficaram sem palavras. Pelo visto, ao observarem a equipe montando equipamentos em diversas estações base todos os dias, carregando materiais de um lado para o outro sem parar, eles presumiram que não passavam de peões de obra?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!