O formigamento chegou ao ponto mais forte, fazendo todo o corpo dela tremer. Ela se agarrou em Sebastião, usando o corpo alto dele como único apoio. Suas duas mãos seguravam-no com firmeza, desejando apenas suportar aquela sensação agonizante o mais rápido possível; ela não conseguia dar atenção a mais nada.
Completamente ignorante de que a respiração do homem ao qual se agarrava ficava cada vez mais pesada.
Sebastião permanecia parado, não querendo demonstrar qualquer alteração.
Mas as mãos de Alice apertavam ainda mais o peito dele. A sensação era muito real e estranha ao mesmo tempo, e Sebastião começou a perder o controle do próprio corpo.
— Al... Alice... já passou? — Ele pigarreou de leve, para disfarçar o tremor em sua voz.
Contudo, logo após ele falar, o peso sobre si tornou-se ainda mais intenso.
— Al... lice...
Sebastião se moveu desconfortavelmente e, com isso, agitou as pernas de Alice, que estavam totalmente dormentes.
Ela soltou um gemido sutil:
— Hum... não se mexa...
Em seguida, o agarrou com força para impedi-lo de se mover.
A cada movimento que o homem fazia, as pernas dela formigavam de dor; aquela sensação era simplesmente infernal!
Ciente do desconforto de Alice, Sebastião parou de se mexer e tentou apenas desviar a própria atenção.
Mas, assim que ele baixou os olhos, a visão revelou a fina e desnuda nuca de Alice. Finas mechas de cabelo caíam pelos seus ombros. Ao ritmo de sua respiração levemente ofegante, o corpo dela subia e descia a cada instante.
Bastou um relance para Sebastião sentir que sua cabeça iria explodir.
A respiração de Alice chegava até a pele dele por cima da camisa. Ao mesmo tempo, ele sentia o calor das mãos dela agarradas no seu peito.
Uma agitação e um calor desconhecido deixaram a respiração de Sebastião progressivamente ofegante...
— Alice...
Finalmente, o formigamento e a dor em suas pernas e pés começaram a ceder.
A respiração de Alice tornou-se mais serena. Ela tirou a testa do peito de Sebastião e soltou um longo suspiro.
— Você melhorou? — A voz de Sebastião soou de forma abrupta.
Só naquele momento Alice percebeu que as suas mãos estavam agarradas no peito de Sebastião todo esse tempo.
— Eu... — Ela soltou as mãos como se tivesse recebido um choque elétrico. Seu rosto queimava, vermelho, sendo a escuridão da noite a sua única sorte. — Sinto muito, eu não estava prestando atenção. Machuquei você?
Com o semblante fechado, Sebastião não disse uma palavra e virou-se, descendo a montanha a passos rápidos.
Da mesma forma, a escuridão serviu para esconder a base de suas orelhas, que já estavam completamente ruborizadas.
Daniel, sem entender o motivo, correu atrás dele e perguntou confuso:
— Patrão, o que houve? Por que sua respiração está tão ofegante? Você está se sentindo mal?

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