— Alice Almeida, você tem tempo para se importar se outro homem está com fome, mas não tem tempo para dar atenção ao seu próprio filho? — Os olhos de Jorge transbordavam decepção ao fitar Alice.
Alice estava parada no mesmo lugar, atônita, olhando para a exaltada família Cavalcanti.
— Eu não ignorei o Júlio, eu realmente não recebi nenhuma mensagem dele. — Ela era a mãe da criança; por mais decepcionada que estivesse com o menino, jamais o ignoraria.
— Qual é o motivo de tanta gritaria! Isso é um hospital, tem uma cirurgia acontecendo lá dentro! — Uma enfermeira saiu furiosa da sala de cirurgia e repreendeu em tom severo: — Vocês são os familiares da criança lá dentro? Não sabem que estamos operando? Querem que a criança não se recupere?
Diante da sequência de repreensões da enfermeira, todos se calaram instantaneamente.
O Inspetor Rocha, percebendo a situação, aproveitou para intervir: — Exatamente, a criança está em cirurgia. Deixem para resolver as coisas depois que o procedimento acabar.
Camila ofegava, ainda fuzilando Alice com um olhar carregado de ódio. Mas, devido às palavras da enfermeira e do Inspetor Rocha, ela foi forçada a engolir a própria fúria.
O Inspetor Rocha rapidamente mandou sua subordinada ajudar Camila a se sentar numa cadeira ali perto, afastando-a de Alice.
Yara e Henrique, com expressões carrancudas, seguiram Camila até as cadeiras. Os olhares ressentidos nunca se desviaram de Alice.
Jorge desviou o olhar e encostou-se na parede.
Sabrina permaneceu onde estava, cobrindo a boca com a mão, fingindo estar assustada com a cena, embora houvesse um leve brilho de satisfação em seus olhos.
A ordem e o silêncio retornaram ao corredor, e o Inspetor Rocha soltou um suspiro de alívio.
Ao ver que a enfermeira estava prestes a voltar para a sala de cirurgia, Alice apressou-se em chamá-la: — Enfermeira, como está o menino?
A enfermeira lançou-lhe um olhar rápido: — Ainda em cirurgia. Qualquer novidade, o médico sairá para falar com vocês. Francamente, que tipo de pais são vocês, que não conseguem nem cuidar de uma criança...
Resmungando, a enfermeira voltou para a sala de cirurgia.
Alice permaneceu na porta, tomada por um profundo sentimento de culpa.
A polícia não tinha motivo para mentir, então Júlio certamente havia dito aquilo ao motorista inescrupuloso.

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