No corredor do lado de fora da sala de cirurgia, o choro de Júlio Cavalcanti pairava no ar.
Aquele "Eu vou morrer!" perfurava o coração de cada um dos adultos ali presentes, golpe após golpe.
Até mesmo os pacientes, familiares e membros da equipe médica que passavam pelo corredor prenderam a respiração ao ouvir o desespero e a amargura da criança.
— Como esse menino sofre...
— Pois é, que choro doloroso! Isso é um absurdo, a criança foi maltratada!
— Pelo que ouvi, o próprio pai acreditou na madrasta e no filho dela, deixou o menino sem comer e ainda bateu nele.
— Ai, ai, é o que todo mundo diz: uma madrasta má consegue transformar até o próprio pai em uma pessoa cruel com o filho!
O áudio de Júlio, colocado em viva-voz por Alice Almeida, atraiu cada vez mais curiosos.
Ao escutar os murmúrios das pessoas, o rosto de Sabrina Saraiva ficava cada vez mais pálido e sua postura, cada vez mais assustada.
— Não é verdade... Eu nunca mentiria sobre o Júlio... Isso tudo é um mal-entendido... — Sabrina estava em pânico, seus olhos percorriam tudo ao redor até pararem em Alice. — Alice, de onde vieram esses áudios? Você os forjou, não é?! Com certeza são falsos! Como você pôde ser tão má?! Fez tudo isso apenas para arruinar o meu relacionamento com o Professor Jorge?!
Logo em seguida, ela lançou um olhar desesperado para a família Cavalcanti. Ao se deparar com as expressões pesadas e questionadoras de Yara Inácio e Henrique Cavalcanti, sua voz começou a tremer: — Pai, mãe, não foi assim, esses áudios são mentira. Eu sempre tratei o Júlio como meu próprio filho, vocês sabem disso...
Alice Almeida fitou Sabrina com repulsa antes de se dirigir à única figura imparcial do local: o Inspetor Rocha. Estendeu-lhe o próprio celular. — Inspetor Rocha, ela diz que os áudios são falsos. Por favor, verifique-os o senhor mesmo.

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