Alice Almeida virou a cabeça abruptamente, apontando o paquímetro em sua mão para ela:
— Jogar um bebê recémnascido que nem abriu os olhos num lixo… Se isso não é tentativa de matar uma pessoa inocente, então o que é?!
— O quê? Jogou um recém-nascido na lixeira? — O Inspetor Rocha ficou estupefato.
Parecia que ele havia subestimado a situação antes. Ele pensava que, após Camila Cavalcanti trocar o bebê de Alice secretamente, ela ao menos teria encontrado um destino para a criança. Nunca imaginou que ela simplesmente o jogaria no lixo, como se fosse um descarte qualquer, e o abandonaria ali!
Isso era o mesmo que tratar a vida daquela criança como se não valesse absolutamente nada!
— Eu... — O rosto de Camila empalideceu no mesmo instante. Instintivamente, ela quis negar, mas então seus olhos recaíram sobre o celular de Alice.
Alice havia gravado tudo!
— O que eu disse agora pouco... foi tudo da boca pra fora. Falei porque você me assustou, eu... — Ela tentou se explicar em pânico, mas suas palavras soaram incrivelmente pálidas e fracas.
Ela era incapaz de dizer o paradeiro da criança. Nem sequer sabia se o bebê ainda estava vivo. No passado, ela de fato o jogou em uma lixeira no meio da noite, exatamente como se fosse lixo.
Ela ainda conseguia se lembrar dos barulhos secos do corpinho do bebê batendo contra as paredes da lixeira.
Ela tinha medo que o choro do bebê chamasse a atenção de alguém, por isso até usou alguma coisa para tampar a boca da criança.
Aquelas memórias, que há muito tempo ela havia bloqueado, de repente começaram a se tornar perturbadoramente nítidas...
O rosto de Camila foi perdendo ainda mais a cor, seu corpo começou a tremer e, ao erguer o olhar, ela encontrou os olhos sombrios e gélidos de Alice.
— Camila Cavalcanti, eu juro que vou acabar com você! Não descansarei até ver a sua ruína!
— Ah! — Camila gritou, balançando a cabeça freneticamente. — Eu não sei de nada... Eu não sei de nada...

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