Então, ela sentou-se ao lado de Yara Inácio e consolou-a com a voz suave.
— Mãe, fique calma, as coisas ainda não chegaram no fim da linha. Ainda há esperança. Vamos ver o que o advogado que o pai contratou vai nos dizer quando ele chegar.
A intenção de Sabrina era aliviar o coração de Yara e Henrique, mas como eles já haviam escutado a mensagem que Júlio enviou para Alice enquanto estavam no hospital, os dois responderam com um olhar nada simpático.
Lembravam-se claramente do choro de injustiça de Júlio naquela gravação. Que tipo de aflição ele precisou sofrer para decidir fugir no meio da noite, repetindo incansavelmente que iria morrer?
Embora estivesse apavorada com a situação, Yara fechou o semblante assim que ouviu a voz de Sabrina.
— Sabrina, não tenho tempo para te dar atenção agora. Mas isso não significa que o sofrimento que você fez o Júlio passar vai ficar por isso mesmo.
Dito isso, Yara soltou a sua mão bruscamente da de Sabrina, e com um empurrão violento afastou a mulher para longe dela.
O corpo de Sabrina balançou com o choque e quase foi ao chão.
Constrangida, examinou o ambiente à sua volta e arrumou a sua postura apressadamente.
— Pai, mãe... vocês estão me entendendo errado... Naquele momento eu realmente não vi nada. Quando cheguei lá o troféu já estava quebrado. E vocês sabem que o Samuel sempre foi um menino assustado. Ele nunca teria coragem de tocar nas coisas dos outros... Eu sei que o Júlio sofreu dessa vez. Ele sempre teve tudo do bom e do melhor desde pequeno, nunca suportou passar por frustrações. Mas eu... eu o considero como o meu próprio filho. Por que eu deixaria ele sofrer por algo desse tipo?
Conforme as palavras saíam, Sabrina parecia cada vez mais aflita até chegar ao ponto em que começou a derramar as lágrimas.
Seu choro chamou a atenção de alguns policiais que trabalhavam ali na delegacia.
— O que está acontecendo? O que é esse choro? — A policial a mando do Inspetor Rocha, que não havia participado do interrogatório de Camila, se encarregava de tomar conta do restante das pessoas do lado de fora.
— Não é nada, policial. — Henrique respondeu prontamente.
A policial avaliou o grupo da família Cavalcanti com um semblante duro.

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