Os gritos cheios de raiva de Camila atormentavam os seus ouvidos, cada berro aumentava a sua dor.
Ela sentia como se a cabeça fosse explodir, e a dor lancinante misturada ao sangue contínuo que escorria fazia sua mente girar.
— Sr. Jorge... Está doendo muito... — Ela levantou o olhar procurando por Jorge, mas tudo o que encontrou foi um olhar complexo e ligeiramente apático dele. — Sr. Jorge...
Jorge olhava para Sabrina. Se fosse dois meses atrás, ver Sabrina gravemente ferida daquele jeito teria feito ele correr para tomá-la nos braços imediatamente.
Porém, naquele momento, principalmente depois de tudo o que haviam passado naqueles dias...
Ele apenas olhou para o lado, para Jonas Farias:
— Jonas, ajude a chamar uma ambulância, por favor.
O celular de Jorge, no meio de toda a confusão de antes, havia caído no chão e estava com a tela quebrada.
— Tudo bem. — Jonas Farias respondeu, com a mesma expressão de complexidade direcionada a Sabrina.
Até então, ele tinha tido uma alta consideração por Sabrina.
Achava que, no trabalho, ela era o braço direito de Jorge, e que, na vida pessoal, também seria o maior apoio para ele.
Mas quem imaginaria...
Ele sabia que todos os seres humanos possuíam seus próprios desejos egoístas, isso era normal. Afinal, até ele próprio escondia seus segredos íntimos dos outros.
Porém, Sabrina definitivamente não deveria ter acusado Júlio injustamente por causa do seu egoísmo.
Especialmente quando Júlio gostava tanto dela, confiava nela. Tratava-a até mesmo com mais proximidade e carinho do que com Alice Almeida...
A traição e o mal causados por ela foram a verdadeira razão pela qual Júlio fugiu de casa.
Alguém que conseguia ser tão dissimulada até com uma criança, quanta sinceridade teria ao lidar com eles, adultos?
Enquanto falavam, a policial já havia trazido um kit de primeiros socorros, realizando uma compressão temporária para conter a hemorragia de Sabrina, evitando que ela perdesse muito sangue.
Yara Inácio segurava firmemente o braço de Henrique Cavalcanti, aterrorizada e estupefata pelo que havia acabado de acontecer.
Ela nunca poderia imaginar que Camila fosse capaz de ter um ataque de loucura como aquele em plena delegacia.
— Camila! — Olhando para a filha que continuava descontrolada sob a contenção dos policiais, Yara sentiu que estava prestes a enlouquecer também. — O que você está fazendo! Ficou maluca de vez?
O que Camila havia acabado de fazer somava mais um crime aos anteriores!

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