Ao ver Sebastião, o olhar de Alice vacilou por um instante.
Uma memória meio confusa passou pela cabeça dela. Ela lembrava que o Sebastião tinha aparecido ontem, no momento em que ela desmaiou.
Mas, na hora, ela já havia perdido o controle emocional e sua consciência estava dispersa. Depois disso, não tinha a menor lembrança do que havia dito ou de como chegara ao hospital.
Mas, no fundo, sabia que devia ter sido trazida ao hospital por Sebastião.
— Obrigada. — Ela disse, com a voz recuperando a frieza de costume.
Os olhos do homem escureceram.
— De nada.
Depois, como se quisesse explicar por que havia aparecido na casa da Prima Célia no dia anterior, Sebastião disse:
— Ontem, foi porque o Daniel estava ajudando a procurar a criança e, seguindo as pistas, chegou à família Correia. Afinal, o desaparecimento de uma criança é algo grave. Eu não estava te seguindo, não pense bobagens. Além disso, foi o Daniel que quis te ajudar a procurar a criança, não teve nada a ver comigo.
Do lado de fora do quarto, o Daniel espirrou.
A cuidadora entrou nesse momento. Ao ver o quarto cheio de gente, disse:
— Senhores, por favor, saiam um pouco. A paciente acabou de acordar e precisa se lavar.
Ao ouvirem isso, os três homens saíram imediatamente do quarto.
A cuidadora fechou a porta, puxou as cortinas e se aproximou sorrindo.
— Moça, vou te ajudar a se lavar e trocar de roupa.
Alice acenou com as mãos.
— Não precisa, eu consigo sozinha.
— Não tem problema, o patrão me contratou justamente para isso. Fui eu quem trocou as suas roupas ontem à noite. — Disse a cuidadora.
Só então Alice olhou para baixo e viu que já estava vestindo roupas limpas.
Vendo que Alice ia tirar as cobertas para sair da cama, a cuidadora apressou-se a empurrá-la de volta.
— Fique deitada e não se mexa. O médico disse que você precisa repousar, deixe que eu te ajudo.
Dizendo isso, a cuidadora tentou limpar o rosto de Alice.

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