Os olhos fechados de Yara se arregalaram subitamente. O cheiro horrível, junto com aquele barulho, atingiu-a com força, deixando-la atordoada.
Ela soltou um grito abafado e rapidamente cobriu a boca com o cobertor, sentindo que ia vomitar.
O tempo parecia se arrastar como anos. Não se sabe quanto tempo se passou até que a Chefona da Cela terminasse e saísse. Enquanto caminhava, ela sacudia a água das mãos.
Aquelas gotas de água respingaram na cabeça e no rosto da Yara.
Ela gritou novamente, sentou-se de supetão e começou a limpar a água do rosto freneticamente.
Para ela, aquelas gotas pareciam algo muito pior do que simples água.
A Chefona da Cela tomou um susto com a reação de Yara:
— O que você está fazendo no meio da noite?! Se chamar as agentes, ninguém mais vai dormir!
Ao ver que Yara continuava sentada, a Chefona da Cela aproximou-se com uma expressão fria:
— Deite-se e vá dormir agora mesmo! Senão, você vai se arrepender!
Yara, tremendo de medo daquela mulher corpulenta, não teve escolha a não ser engolir o nojo e deitar-se novamente.
No entanto, naquela noite, ela estava destinada a não conseguir pregar o olho.
As mulheres da cela pareciam ter combinado: de tempos em tempos, alguém acordava para usar o banheiro.
Sempre passavam por cima de sua cabeça, fazendo barulho e exalando odores.
Assim, no dia seguinte, todas estavam cheias de energia, exceto Yara, que parecia exausta.
Em apenas uma noite, ela parecia ter envelhecido dez anos.
Mas o sofrimento que a aguardava não terminava ali.
A Chefona da Cela jogou um par de luvas de borracha sujas para ela e apontou na direção do vaso sanitário:
— Nós mesmas limpamos a cela. Hoje é a sua vez de lavar o vaso!
Só de pensar naquele vaso sanitário em estado horrível, a Yara já sentia muita repulsa:
— Mas eu cheguei ontem, já é a minha vez hoje?
— Sim! Se eu disse que é a sua vez, é a sua vez. Tem algum problema com isso?
— Tenho!
O olhar da Chefona da Cela endureceu:
— Se tem problema, engula! Senão, a partir de hoje você vai lavar o vaso todos os dias!
Em toda a sua vida, Yara nunca havia sofrido tamanha humilhação, tortura e injustiça. As lágrimas rapidamente se formaram em seus olhos e começaram a rolar pelo rosto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!