Na sala de estar da mansão, o pai de Sabrina, Bernardo Saraiva, usava o próprio celular para tocar uma música agitada no volume máximo. Seu corpo se contorcia sem qualquer ritmo ao som da batida.
Ao seu redor, alguns homens e mulheres de meia-idade também riam e dançavam.
Eram todos vizinhos e amigos do bairro com quem a família tinha um bom convívio.
A mãe de Sabrina, Sônia Saraiva, saiu da cozinha carregando frutas recém-tiradas da geladeira e alguns petiscos prontos para consumo, seguida de perto por Samuel.
Dona Sônia lançou um olhar irritado para Bernardo.
— Desliga essa música chata, esse barulho está me dando dor de cabeça!
Bernardo não desligou a música; em vez disso, pegou uma uva e a jogou na boca.
— Fala sério, até as uvas daqui são mais doces que as nossas!
— Esse tipo de uva com certeza é doce. Ouvi a tia Ester dizer que custa dezenas de reais o quilo — comentou Samuel.
— Ah! — Bernardo arregalou os olhos. — Então um cacho desses deve custar mais de cem reais?
Os vizinhos e amigos que o acompanhavam pararam de dançar na mesma hora. Ao ouvirem que o cacho de uvas custava mais de cem reais, todos se aproximaram para provar.
Viveram tantos anos e nunca haviam comido uvas tão caras.
Samuel observou aquelas pessoas disputando as uvas e um sorriso presunçoso surgiu em seu pequeno rosto.
— Esse cacho custa mais de duzentos reais.
Ao ouvirem isso, os rostos de todos se iluminaram imediatamente.
— Uvas de mais de duzentos reais! — Bernardo apressou-se em enfiar mais duas na boca. — Doce, é muito doce mesmo!
Dona Sônia fuzilou Bernardo com o olhar.
— Olha só para você, que falta de classe. O que não falta aqui é coisa boa, não fique só comendo uva.
Enquanto falava, colocou o que trazia nas mãos sobre a mesa de centro.
— O Samuca disse que essas comidas são todas muito caras. E tem também esse tal de achocolatado — Dona Sônia empurrou algumas caixinhas de achocolatado para a frente. — Dizem que é importado e uma delícia.
Samuel olhou para as caixas de achocolatado e fez um bico.
Aqueles achocolatados haviam sido comprados depois pela tia Ester para Júlio, e foi só então que ele descobriu que uma caixinha daquelas era tão cara.
Não era à toa que Júlio ficava tão irritado quando o via bebendo.


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