— Não tem? — Bernardo Saraiva ficou atônito. — Então por que você disse agora há pouco que tinha, que ia levar as provas para denunciar o Jorge Cavalcanti?
Sabrina estava extremamente frustrada.
— Se eu não dissesse isso, o Jorge não teria se divorciado de mim?!
Naquele momento, ela não teve escolha a não ser dizer aquilo.
Mas a verdade era que ela não tinha prova alguma em mãos.
Ela estava apostando. Apostando que a família Cavalcanti não poderia sacrificar Jorge, e que Jorge não ousaria perder o próprio futuro.
Os fatos provaram que ela ganhou a aposta, mas o preço também foi enorme.
Porque, a partir de agora, ela perderia completamente a confiança de Jorge e de toda a família Cavalcanti.
Se a verdade viesse à tona, ela seria completamente destruída, sem qualquer chance de se reerguer.
— Mas... mesmo que você não tenha provas, o fato de o Jorge ter te forçado é verdade. Senão, a família dele não teria tomado a iniciativa de pedir sua mão. — disse Sônia Saraiva.
Sabrina apertou os lábios, sem responder.
Bernardo olhou para o rosto inchado dela.
— O seu rosto... vai voltar ao normal?
Aquela pergunta atingiu em cheio a ferida de Sabrina.
Ela levantou a mão e tocou suavemente o próprio rosto.
Logo após levar os pontos, ela perguntou ao médico.
O médico lhe deu uma resposta clara: as cicatrizes no lado esquerdo da testa e ao redor da órbita ocular clareariam, mas a possibilidade de recuperação total era quase nula.
Ou seja, era muito provável que ela carregasse aquelas duas cicatrizes no rosto para o resto da vida.

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