Alice Almeida olhava para o retrato falado no celular, ampliando e reduzindo a imagem repetidamente, com medo de deixar escapar qualquer detalhe.
O homem tinha o rosto alongado e uma pequena pinta na parte superior do lábio. O cabelo do topo da cabeça era ralo e a linha capilar não estava muito recuada.
Fora isso, não havia nenhuma outra característica marcante.
Alice olhou para a foto e sentiu o coração afundar levemente.
Retratos falados já carregam uma certa margem de erro por natureza. Além disso, como o caso havia acontecido há muitos anos e a memória humana é falha, a menos que a pessoa tivesse alguma característica muito evidente, seria impossível lembrar com clareza.
Ou seja, a lembrança que o filho da prima de Yara Inácio tinha do rosto do homem chamado Sarnento também continha distorções e confusões.
Isso significava que a utilidade daquele retrato falado seria inevitavelmente baixa.
Nesse momento, Samuel Lima bateu na porta e entrou, dizendo enquanto caminhava:
— O Prof. Lucas Vieira, a Catarina e os outros já terminaram o trabalho na serra e iniciarão a viagem de volta amanhã.
Após receber alta do hospital, para não se deixar abater, Alice voltou a trabalhar no instituto logo no dia seguinte.
Ao ouvir as palavras de Samuel e lembrar dos colegas na serra, ela demonstrou culpa.
— Foi tudo por causa dos meus problemas que o cronograma de trabalho deles atrasou.
— Alice, não diga isso. A sua situação é especial, todos entendem. Além disso, graças à base sólida que você construiu no início do projeto na serra, eles só atrasaram dois dias em relação à data prevista. — Samuel Lima a consolou e, ao abaixar a cabeça, viu a tela do celular dela acesa. — Quem é esse homem com rosto alongado?
Por algum motivo, embora não o conhecesse, Samuel sentiu uma aversão inexplicável ao ver aquele retrato falado pela primeira vez.
Raramente ele desgostava de alguém logo à primeira vista.
— O nome dele é Sarnento. O Inspetor Rocha acabou de me mandar esse retrato falado. — explicou Alice.

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