Ele analisou aquela partida da perspectiva das peças brancas por um longo tempo, sem conseguir encontrar uma maneira de quebrar o impasse.
Era fácil imaginar o quão formidável era aquele Gênio do Xadrez.
E quanto mais Henrique reconhecia a grandiosidade dela, mais sua ansiedade e urgência aumentavam, desesperado para encontrá-la logo.
— Não venha aqui se não tiver nada para fazer. Nesta casa, apenas cumpra as suas obrigações. — Henrique encarou Alice de soslaio, e o tom da voz dele era desprovido de qualquer emoção, o mesmo que usava ao falar com os criados.
— Está bem. — Alice respondeu friamente. Ela não tinha a menor paciência para gastar mais uma palavra; percebera que bastava dizer um pouco a mais, que a discussão se tornaria interminável. Assim, optou por se calar.
Olhando a hora, a comida na panela já devia estar quase pronta. Virou-se para voltar à cozinha, mas foi chamada de novo por Henrique.
— Ouvi dizer que você e o Jorge andam brigando e que você não voltou mais para casa. — Henrique a questionou.
Alice lançou um olhar a Jorge, permanecendo em silêncio.
— Eu não me importo com a relação entre você e o Jorge, — Henrique continuou — mas enquanto for nora da família Cavalcanti, deverá respeitar as nossas regras. Se quer saber, passar o dia ociosa não é o ideal, a cabeça vazia acaba maquinando absurdos.
— O pai e eu achamos que devemos arrumar um trabalho para você. Dessa forma, com algo a fazer, você não ficará restrita apenas à casa. — Jorge interveio para explicar a situação.
Alice franziu o cenho. O que isso significava, pai e filho estavam querendo encontrar um emprego para ela?
— Exatamente. — Henrique concordou com a cabeça e sentou-se na cadeira, servindo-se de uma xícara de chá. — Você não possui nenhuma habilidade excepcional e não seria capaz de realizar trabalhos de alto nível. Sair por aí só mancharia o nome do Solar Cavalcanti. Sendo assim, venha para o meu Clube de Xadrez de Alvorada. Faça trabalhos como receber e acompanhar pessoas, ou servir chá e água. Isso vai ajudar a ampliar sua visão e a conhecer outras pessoas além da nossa família, e também melhorará a sua inteligência emocional e a capacidade de execução.
Alice achou tudo aquilo cômico. Se o seu professor e o seu veterano ouvissem algo do tipo, certamente pulariam de raiva.
Se Alice não fosse nora da família Cavalcanti, pelas qualificações dela, não teria nem os requisitos mínimos para entrar no clube!
— Pai, não fique chateado, é ela que não sabe reconhecer favores. — Jorge consolou seu pai, acrescentando em seguida: — Reserve a vaga para ela, eu farei com que ela vá.
— Humpf! — Henrique bufou friamente e voltou a beber o chá. Pelo canto do olho percorreu o tabuleiro, e de repente ele arregalou os olhos.
Será que tinha visto mal?
Como podia ter uma peça branca a mais no tabuleiro?!
Além disso, aquela posição...

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!