Ela tinha a intenção de começar a empacotar suas coisas, mas por um instante, não soube por onde começar.
De repente, o som da porta se abrindo ecoou na entrada.
A figura alta de Pedro surgiu. Ele notou a casa inteira iluminada e, por fim, encontrou Catarina na cozinha.
Ele a abraçou por trás:
— Já é tão grandinha e ainda tem medo do escuro?
Um cheiro refrescante, que estava misturado a uma fragrância doce e enjoativa de perfume.
Sentindo o estômago revirar, Catarina o empurrou friamente:
— Me solta. Não me obrigue a vomitar em você.
Pedro soltou uma risada baixa:
— Quer vomitar? Eu me lembro bem de não termos dormido juntos recentemente...
— Ou será que isso é algum tipo de indireta para mim?
Sua mão grande, de dedos marcados, repousou sobre a lombar dela. As pontas dos dedos a acariciaram suavemente e, em seguida, deslizaram para debaixo da bainha da blusa, subindo lentamente.
— Pervertido!
Catarina ergueu a perna de supetão, desferindo um chute violento contra ele, mas Pedro facilmente lhe segurou o tornozelo e puxou-a de leve.
Ela perdeu o equilíbrio no mesmo instante, o corpo colidindo com força contra o peito largo e rígido dele.
Os hematomas pelo seu corpo latejaram com uma dor aguda, e Catarina não conseguiu evitar um gemido abafado.
Pedro franziu o cenho e a amparou:
— O que foi?
— Não é da sua conta! — ela o repeliu.
O rosto de Pedro escureceu e, sem dizer mais nada, ele a tomou nos braços à força, caminhou a passos largos até a sala de estar e a depositou delicadamente sobre o sofá.
— Me solta! Me larga! — Catarina debatia-se desesperadamente.
Mas, com uma só mão, ele cravou firmemente os dois pulsos dela acima da cabeça e, com a outra, ergueu sua blusa.
No instante seguinte, os hematomas assustadores e as marcas roxas cruzadas por todo o seu corpo foram expostos diante de seus olhos, sem qualquer reserva.
O rosto bonito e habitualmente indiferente de Pedro escureceu de modo aterrorizante num segundo. A atmosfera ao seu redor tornou-se pesada, opressiva a ponto de sufocar.
— Quem fez isso?
Ele sufocou a raiva:
— O Seu Vagner disse que tinha gente te perseguindo. Foram eles que fizeram isso? Por que você não me contou?
Catarina achou tudo aquilo absolutamente patético. Ela fixou o olhar em Pedro e zombou com frieza:
— Quer saber? Vá perguntar para a sua grande amiguinha, peça para ela te contar!

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