As cortinas pesadas evitavam que a luz do sol entrasse, o quarto grande e confortável estava completamente escuro e os lençóis farfalhavam a medida que Clarck se movia, erguendo seu corpo e se levantando da cama, deixando os lençóis para trás enquanto caminhava preguiçosamente em direção à mesa que havia no canto esquerdo, pegando seu celular e conferindo as horas.
A luz da tela se acendeu e iluminou um pouco o quarto, tornando o rosto bonito dele visível em meio a escuridão. Os olhos cor de âmbar ainda estavam levemente avermelhados, encarando a tela do celular meio franzidos, assim como as sobrancelhas grossas. Ele passou a destra no rosto, puxando para trás os cabelos castanhos curtos que estavam levemente bagunçados, a medida que caminhava em direção à janela, já era tarde, ao menos para ele. O relógio na tela do celular marcavam sete e quarenta da manhã e ele tinha vinte minutos para se arrumar e entrar no carro, assim conseguiria chegar ao escritório antes do expediente dos funcionários começar.
Clarck deixou o celular de lado, o jogando na cama e abrindo a cortina, deixando a luz do sol entrar. Só então se lembrou que estava completamente nu, o dorso forte exposto diante da janela de vidro, assim como todo resto, enquanto, lá embaixo, no jardim dos fundos da casa da matilha, algumas meninas corriam cobrindo o rosto e dando risinhos.
Não era a primeira vez que uma cena como aquela acontecia, claro.
— Hmmm… Clarck? Volta pra cama — a voz de Loren chegou aos ouvidos dele e o fez torcer o rosto numa expressão irritada.
De novo ela havia acabado em sua cama.
— Vou trabalhar, você sabe o caminho da porta, não demora pra levantar, Janice vai vir limpar em breve e a última coisa que eu quero e você esparramada aqui quando ela chegar — sua voz rouca e grossa fez Loren abrir os olhos, contrariada, se sentando na cama com os braços cruzados, os cabelos castanhos claros espalhados por suas costas.
— Qual é, você não precisa sair tão cedo — reclamou ela, se levantando com o corpo enrolado num dos lençóis, tentando abraçá-lo pelas costas. — Que vantagem tem ser o chefe e ter que ficar saindo tão cedo? Se quiser… Pode passar o dia todinho comigo na cama, e a gente pode fazer umas coisas muito mais divertidas do que um dia de trabalho no escritório — enquanto falava, Loren escorregou a mão lentamente pelo peitoral de Clarck, sua mão deslizando pelos gomos do abdômen firme do homem até que…
— Sempre atrasado, menino — a senhora resmungou, passando por ele e dando dois tapinhas fracos em sua bochecha. Comparada a Clarck, a senhora era minuscula. — Coma algo antes de sair, entendeu?
— Claro, Jani, bom dia. Bom dia pra você também, Patricia — ele cumprimentou uma das lobas que trabalhava na casa, seguindo pelo grande corredor em direção às escadas.
Ali, cada um tinha seu papel, desde as funções mais básicas, como a de limar e cozinhar, até as mais perigosas, como defender o território da matilha.

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