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NAS GARRAS DO JUIZ romance Capítulo 4

Os olhos de Fabiane vacilaram por um instante, e ela precisou engolir o nó que havia se formado em sua garganta antes de assentir.

— Sim. Faço qualquer coisa para provar ao doutor o quanto posso ser útil.

— Tudo bem. — Dante recostou-se na cadeira e suavizou a expressão. — Conte-me sobre você.

A mudança de comportamento dele havia sido rápida demais. No entanto, Fabiane não estava ali para pensar muito. Precisava daquela vaga e faria o que fosse preciso para consegui-la.

— Bem… — ela ponderou, respirando fundo. — Estou no último ano da faculdade de Direito e tenho me dedicado principalmente às disciplinas ligadas ao Direito Penal e Processual Penal.

Ele permaneceu em silêncio, observando-a.

— Sempre estive entre os melhores alunos da turma. Também participei de grupos de pesquisa e de projetos de assistência jurídica para pessoas de baixa renda.

— E por que escolheu Direito? — ele perguntou.

Fabiane hesitou por um momento.

— Porque cresci vendo muitas pessoas serem prejudicadas sem ter quem as defendesse. Considerei que, se entendesse as leis, talvez pudesse fazer alguma diferença.

Dante arqueou uma sobrancelha.

— Então quer mudar o mundo?

Ela soltou uma pequena risada nervosa.

— Não. Só quero fazer meu trabalho da melhor forma possível.

— E quais são seus planos após a graduação? — continuou.

— Quero construir uma carreira sólida. Aprender com profissionais experientes, ganhar prática e me tornar uma boa advogada.

— Boa advogada?

— Sim.

— Não, juíza? Promotora? Procuradora?

— Talvez um dia.

Dante tamborilou os dedos sobre a mesa enquanto a observava. A verdade é que mal prestava atenção no que ela dizia. Sua mente estava ocupada demais analisando a mulher à sua frente. O jeito simples, as roupas discretas, o nervosismo evidente e, principalmente, a ausência de qualquer traço de ambição interesseira a faziam parecer uma pessoa fácil de se manipular.

Quanto mais a observava, mais uma ideia começava a surgir em sua cabeça. Uma ideia tão absurda que, em circunstâncias normais, jamais a consideraria.

Mas as circunstâncias estavam longe de ser normais e ele precisava agir rápido.

— Ótimo. — disse, juntando as mãos sobre a mesa. — Acho que posso considerar a ideia de tê-la ao meu lado.

Os olhos de Fabiane se iluminaram imediatamente. Por um instante, ela mal conseguiu acreditar no que estava ouvindo. Talvez a insistência de sua mãe para ir até ali tivesse sido um sinal de que as coisas ainda poderiam dar certo.

— Prometo que vou me esforçar todos os dias.

— E algumas noites também. — Dante a interrompeu.

— Como? — Ela franziu a testa.

No canto do gabinete, Renner e Bianca arregalaram os olhos.

— Sou um homem com muitas responsabilidades — continuou Dante. — Há dias em que trabalho até tarde, reuniões inesperadas, viagens e processos urgentes. Se quiser essa vaga, precisará estar disposta a acompanhar o ritmo.

Fabiane endireitou a postura.

— Eu não tenho problema com trabalho duro.

Um leve sorriso surgiu nos lábios dele.

— Espero que não tenha mesmo, porque vou exigir muito de você.

— Estou disposta a fazer o que for necessário.

— Quero ver mesmo se é tão boa quanto diz ser. — concluiu.

Em seguida, voltou-se para Renner.

— Há alguns jornalistas lá fora, não é mesmo?

— Sim, eles estão esperando que você se pronuncie sobre as notícias recentes.

— Certo. Reúna todos no auditório agora mesmo. Tenho um comunicado a fazer.

Renner abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu.

Ele conhecia Dante há anos. Conhecia aquele olhar e aquele tom de voz.

E sabia exatamente o que o chefe estava planejando.

O problema era que aquilo era uma completa loucura.

— Dante… — Renner começou com cautela.

— Faça o que eu disse — o interrompeu.

— Tem certeza? — insistiu.

— Pareço alguém com dúvidas?

Renner passou a mão pelo rosto.

4: OPORTUNIDADE 1

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