Andreas Lykaios
Conforme os anos iam se passando, eu esperava ansiosamente pela sua visita. Todos os anos, nas férias escolares, sua família vinha passar um tempo na nossa cidade. Não sei exatamente onde moravam, apenas que a mãe dela tinha parentes por aqui.
Quase sempre, a pequena garota corria pela floresta à procura de um lobo prateado. Sempre que ela estava sozinha, eu aparecia para fazer uma visita. Era a coisa mais maravilhosa que me acontecia, mesmo sendo apenas uma vez por ano. Eu esperava ansiosamente por esse dia. Meu coração batia forte toda vez que seus olhos de duas cores se fixavam nos meus, mas eu não podia me deixar levar por uma criança... por uma criança humana. Ela jamais poderia ser minha companheira — era o que eu pensava todos os anos.
Quando ela chegava, tudo o que eu queria era estar ao seu lado, ou apenas observá-la de longe, vendo seu sorriso e sua alegria. Uma inocência e uma bondade que eu jamais tinha visto em nenhuma criança humana.
Quando completou 13 anos, seus cabelos já iam até a cintura, cheios de cachos soltos ao vento, escuros como a noite. Seus olhos brilhavam de uma forma que fazia meu corpo inteiro estremecer. Eu não podia estar sentindo aquilo... ela era só uma criança, eu pensava.
Sempre em minha forma de lobo, esperava ansioso por seus carinhos. Mas aquele ano foi diferente. Foi o ano em que tudo mudou.
A jovem humana voltava da cidade com o pai e a mãe no carro, quando foram atacados por lobos. Sim, lobos gigantes. Eles tentaram matar a garota. Não conseguiram tocá-la, mas sua mãe foi atacada e morta.
O grito de desespero da menina ecoou por toda a alcateia, fazendo todos chorarem e uivarem de dor. Meu coração doeu com uma intensidade insuportável. Sem perceber, lágrimas escorreram pelo meu rosto. Caí de joelhos no chão, com a mão no peito — parecia que ele ia explodir.
Meu lobo gritou na minha mente:
— Nossa companheira está em perigo! Ela precisa da nossa ajuda!
Sem pensar, me transformei em lobo e corri em sua direção. Mas a cena que encontrei me fez tremer.
A pequena garota estava banhada em sangue, segurando a mãe morta nos braços, chorando. Seu pai estava caído no chão, muito ferido, mas ainda vivo. Quando me aproximei para tentar confortá-la, ela gritou de pavor. Pela primeira vez… eu senti a rejeição. E doeu mais do que qualquer ferida.
— Ela está com medo de nós? — meu lobo perguntou, chorando na minha cabeça.
— Eu não entendo por que ela teria medo, falei, tentando acalmá-lo. Mas ele continuava a chorar.
Olhei ao redor e percebi marcas de garras pelo carro, sangue espalhado por toda parte. Sim, eram lobos que a atacaram. Talvez selvagens. Ou desertores… quem sabe sabiam da história e vieram tentar matá-la?
— Não façam nada com a menina. Apenas fiquem de olho para que ninguém a machuque. Qualquer coisa, me informe imediatamente — falei, antes de sair do hospital.
Na entrada, vi um rapaz de cabelos escuros entrando às pressas, chorando. Reconheci imediatamente: era o irmão da menina.
Entrei em contato com meu esquadrão e ordenei que procurassem vestígios dos lobos que atacaram a família na estrada. Nunca houve ataques assim no meu território. Foi direto. Quiseram matar a menina.
Por quê? Para me atingir? Não sei o que a Deusa da Lua fez com essa garota, mas ninguém pode encostar um dedo nela.
Talvez esses lobos não soubessem… ou apenas estavam seguindo ordens de alguém. Mas um lobo não desaparece do meu território sem deixar rastro. Vou encontrá-los. E vou matá-los.
Melhor ainda: vou arrancar suas cabeças no centro da minha alcateia. Que todos vejam o que acontece com quem tenta se aproximar da criança humana.
Meu lobo concorda comigo de imediato. Ele também sente sede de sangue. Talvez até mais do que eu. Ele está envolvido demais com aquela menina…

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