Ele não era o tipo de pessoa com quem se devia mexer.
Tentando não demonstrar medo, ela manteve a expressão neutra e perguntou em um tom apático,
— O que você quer?
Efraim mantinha uma mão no bolso e apoiou a outra na parede, ao lado do rosto dela. Curvando-se levemente para ficar na mesma altura de seus olhos, ele disparou,
— Eu invadi o armazenamento em nuvem do meu irmão. O servidor dele está em perfeito estado e eu assisti aos vídeos. Foi você. Você fotografou secretamente os documentos da licitação. Você se aliou ao Alberto? Você pertence ao meu irmão. Por que o traiu?
O coração de Genebra deu um salto. Então, Gaspar já sabia de tudo.
— Foi o Gaspar que mandou você vir atrás de mim? — Genebra rebateu com outra pergunta.
Uma hesitação atípica passou pelos olhos de Efraim, detalhe que não escapou a Genebra.
Ela continuou,
— Você não contou nada ao Gaspar. Porque você sabe muito bem que ele já está ciente de que fui eu e decidiu não me confrontar. Essa sua atitude agora só te faz parecer um palhaço.
Genebra viu a expressão de Efraim escurecer rapidamente, como se estivesse prestes a atacá-la.
Ela decidiu jogar mais lenha na fogueira,
— O seu irmão realmente te considera alguém de confiança? Tenho minhas dúvidas.
A intenção provocativa em suas palavras era evidente. Efraim a captou imediatamente e soltou um riso gélido,
— Não é à toa que o meu irmão prefere te manter trancada em casa. Deixar alguém como você circular livremente é um verdadeiro desastre.
Aquelas palavras acertaram em cheio o ponto fraco de Genebra. Ela franziu os lábios em uma linha rígida, empurrou Efraim com força, virou as costas e foi embora.
Ao retornar ao Mirante do Vale, Genebra caminhava em direção ao quarto quando ouviu a voz de Gaspar vindo do escritório. Ele estava ao telefone.
Seu tom era extremamente severo,
— Se você estender as mãos para os meus assuntos de novo, eu as corto.
Não era possível ouvir as palavras do interlocutor, mas a agitação e o volume da voz do outro lado da linha eram tamanhos que Gaspar precisou afastar o aparelho da orelha.
Gaspar continuou,
— Os assuntos relacionados a ela, eu mesmo resolvo. Não ouse tocá-la, você vai acabar assustando-a. E isso pode arruinar os meus planos.
Genebra estacou no corredor. Ela deduziu que a pessoa na linha devia ser Efraim, relatando o ocorrido a Gaspar.
O tom de Gaspar se suavizou um pouco, como se quisesse apaziguar os ânimos,
— Considere este assunto encerrado. Vá para o exterior agora e cuide das outras pendências para mim.
Genebra caminhou silenciosamente até o quarto e sentou-se na cama, com o olhar perdido.
A porta se abriu atrás dela, seguida pelo som de passos que se aproximavam. A voz de Gaspar ressoou,
— O Efraim foi te procurar hoje?
Genebra retesou o corpo,
— Sim.
O tom dele soou natural,

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