— Dra. Beatriz, a senhora apontou ontem aquele problema de redundância nos dados. Nós otimizamos. A senhora pode avaliar se esta proposta serve?
— Dra. Beatriz, chegaram amostras novas de material supercondutor. A senhora gostaria de ver?
— Dra. Beatriz, vá descansar um pouco. Nós ficamos de olho aqui. A senhora já está há quarenta horas seguidas sem dormir!
De “Srta. Beatriz” para “Dra. Beatriz”, a mudança de tratamento representava um reconhecimento absoluto de competência.
Embora Beatriz trabalhasse em perfeita sintonia com a equipe, ela insistia em conduzir pessoalmente a parte mais crucial: as validações experimentais e as deduções de dados.
Porque ela sabia. Aquilo seria a lâmina mais afiada — e mais irrefutável — que ela entregaria a todos os seus inimigos.
E essa lâmina precisava ser forjada por suas próprias mãos.
……
Ao mesmo tempo.
Larissa e a família Andrade e Monteiro ainda se afogavam na euforia da vitória e em fantasias açucaradas sobre o futuro.
É claro que eles não tinham “largado” Beatriz por completo.
Heitor chegou a colocar gente vigiando, vinte e quatro horas por dia, o conjunto residencial antigo onde Clarinda morava.
As informações que voltavam os deixaram, enfim, tranquilos.
— O alvo saía daquele apartamento caindo aos pedaços todos os dias, pegava o metrô e ia para um prédio comercial comum. Parece que arrumou um emprego.
— Vestia-se de forma miserável, coisa barata de camelô.
— Às vezes, à noite, ainda passava numa loja de conveniência para comprar marmita em promoção.
— O estado mental parecia péssimo. Estava abatida, com cara de quem não dormia.
Aquelas notícias, sem dúvida, os agradavam.
Na cabeça deles, a Beatriz “banida” pela união entre a família Monteiro e a família Andrade só podia terminar assim.


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