— O mais importante na vida é saber ser grato. A família Andrade te criou. Se não teve mérito, teve esforço.
— Agora que você tem conquistas, devia pensar em como retribuir à família, em vez de fazer birra e deixar os outros rirem da gente.
Ele falou com uma retidão falsa, como se toda humilhação que Beatriz sofrera fosse apenas “birra”, e como se ela fosse ingrata por não “retribuir”.
Nesse instante, Larissa, que até então ficara quieta, soluçou baixinho.
Ela largou os talheres. As lágrimas caíram como contas soltas de um colar.
— Desculpa… a culpa é minha…
— Se não fosse por mim, a mana não teria sofrido tanto… nem a família teria chegado nesse ponto…
— Vocês não briguem com ela… eu errei… eu errei… — chorou, com a voz quebrada.
Bastou ela chorar para a atenção de todos se virar na mesma hora.
Felipe franziu o cenho, com pena.
— Larissa, isso não é culpa sua. Não pensa besteira.
Miguel bateu na mesa e encarou Beatriz, furioso:
— Olha o que você fez com a Larissa! Ela já é fraca de saúde e você insiste em provocar! Beatriz, você tem coração de pedra?
Matheus também lhe estendeu um guardanapo, consolando-a com doçura:
— Larissa, não é com você. Tem gente que é pequena e não suporta ver você bem.
Beatriz observou a cena em silêncio.
Era tão familiar.
Desde que ela se entendia por gente, era assim.
Não importava o que acontecesse, nem quem estivesse certo.
Se Larissa chorasse, a balança pendia para ela.
E Beatriz era sempre a vilã: a culpada, a acusada, a desprezada.
No passado, Beatriz se defendia até perder a voz; gritava de dor; chorava de desespero.
Agora, diante daquela atuação grosseira, só lhe restava tranquilidade.


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