Estavam lá o irmão mais velho, Matheus, o segundo irmão, Miguel, e a madrasta, Isabel.
E Larissa, de vestido branco comprido, sentada ao lado de Isabel. Ao ver Beatriz, ainda exibiu uma expressão preocupada e inocente.
A casa estava cheia, todos reunidos.
Mas ninguém vestia roupas escuras, apropriadas para luto.
E não havia o menor sinal de preparação ou pesar para visitar o cemitério.
Não existia homenagem nenhuma.
Aquilo era, claramente, um... julgamento.
O coração de Beatriz já tinha afundado no instante em que ouvira a chave girar.
Agora, gelava por completo.
Ela era uma idiota.
Uma idiota irremediável, sem salvação.
Chegara a acreditar que aqueles chacais teriam, nem que fosse por um segundo, algum traço de afeto ou humanidade.
Ela arremessou com força as margaridas no chão polido.
As pétalas se espalharam, como um sonho despedaçado.
— O que vocês querem?
Matheus se levantou, ajustou o punho da camisa com calma e a encarou de cima.
— Nada demais. Só queremos que você fique uns dias em casa, para esfriar a cabeça.
Ele foi direto ao ponto.
— Eu já avisei o Sr. Henrique. O casamento ficou marcado para o começo do mês que vem; a data já foi escolhida.
— Até você criar juízo, vai ficar aqui.
Beatriz tremia de raiva; as unhas cravaram na palma da mão.
— Isso é cárcere privado! Eu vou chamar a polícia!
Matheus soltou um riso de desprezo, como se tivesse ouvido uma piada.
— Beatriz, a família Andrade te criou por tantos anos. Agora está na hora de você retribuir.
Ele avançou passo a passo, a voz carregada de ameaça.
— Eu sugiro que você coopere. Não me force a usar meios mais duros. Aí ninguém sai bem na foto.
Isabel também pousou a xícara e falou num tom ácido, venenoso.
— Ai, que polícia o quê? A gente está fazendo isso pro seu bem.


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