Entrar Via

No Dia do Luto — Traição romance Capítulo 146

— Mamãe... a mamãe se machucou...

Assim que disse isso, Denise voltou a falar entre soluços.

Antônio foi imediatamente até Lúcia. Chamou-a baixinho e, sem hesitar, tomou-a nos braços.

A ambulância já tinha chegado. Antônio a carregou para dentro às pressas, puxando a filha pela mão.

A polícia isolou a área, Natan também foi detido. O carro seguiu para o hospital.

No caminho, a enfermeira colocou oxigênio em Lúcia e tratou do ferimento. Antônio manteve a mão dela presa entre as suas, sem desviar os olhos do ritmo da respiração.

O olhar dele ardia de ansiedade, o rosto, numa tensão rara, parecia quase desfeito. A ponto de ele ignorar por completo Denise, que também precisava de cuidado.

— Como ela está?

Depois de um longo silêncio, Antônio perguntou, num tom grave, às duas enfermeiras.

A enfermeira respondeu:

— Os batimentos estão normais. Provavelmente ela só desmaiou. Mas precisamos fazer exames mais detalhados no hospital...

Antes que terminasse, os cílios de Lúcia tremularam. Ela acordou.

A visão, de turva a nítida, encontrou primeiro o rosto de Antônio.

Sob a luz branca, ele estava pálido, as sobrancelhas escuras, cerradas, a expressão, exausta.

Uma dor aguda explodiu na cabeça de Lúcia. Ela franziu o cenho por instinto, e a voz de Antônio veio apressada:

— Não se mexa. Fique deitada. Onde dói? O que você está sentindo?

— ...A cabeça. Dói.

Lúcia falou baixo. Na verdade, o corpo inteiro doía, como se os ossos tivessem se desmontado.

Mas ela percebia que não parecia haver nada grave, tinha batido a cabeça e ainda estava tonta.

— Dói muito? — Antônio olhou para a enfermeira. — Tem como aliviar?

— Vamos fazer uma compressa fria primeiro. No hospital, a gente examina.

A enfermeira pegou uma bolsa de gelo. Antes que encostasse na cabeça de Lúcia, Antônio tomou-a da mão dela.

Só que Lúcia percebeu a própria mão presa na dele, e os dois tão próximos... um incômodo súbito subiu pela pele. Ela desviou do gesto.

— Eu mesma faço.

A resposta distante caiu como água gelada, deixando Antônio visivelmente sem jeito.

Ele parou por um instante e soltou a mão dela.

Lúcia pegou a bolsa de gelo com naturalidade, respirou fundo e a pressionou na lateral da cabeça. O frio atravessou o corpo e, de fato, aliviou a dor por um momento.

— Mamãe!

Ao ver a mãe acordada, Denise correu até ela. Mas, assim que chegou, a alegria no rosto da menina se apagou.

No lugar, surgiu uma mistura de emoções, confusa e pesada.

Lúcia não percebeu. Ao ver Denise bem, sentiu, enfim, o coração sossegar.

Capítulo 146 1

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Luto — Traição