— Mamãe... a mamãe se machucou...
Assim que disse isso, Denise voltou a falar entre soluços.
Antônio foi imediatamente até Lúcia. Chamou-a baixinho e, sem hesitar, tomou-a nos braços.
A ambulância já tinha chegado. Antônio a carregou para dentro às pressas, puxando a filha pela mão.
A polícia isolou a área, Natan também foi detido. O carro seguiu para o hospital.
No caminho, a enfermeira colocou oxigênio em Lúcia e tratou do ferimento. Antônio manteve a mão dela presa entre as suas, sem desviar os olhos do ritmo da respiração.
O olhar dele ardia de ansiedade, o rosto, numa tensão rara, parecia quase desfeito. A ponto de ele ignorar por completo Denise, que também precisava de cuidado.
— Como ela está?
Depois de um longo silêncio, Antônio perguntou, num tom grave, às duas enfermeiras.
A enfermeira respondeu:
— Os batimentos estão normais. Provavelmente ela só desmaiou. Mas precisamos fazer exames mais detalhados no hospital...
Antes que terminasse, os cílios de Lúcia tremularam. Ela acordou.
A visão, de turva a nítida, encontrou primeiro o rosto de Antônio.
Sob a luz branca, ele estava pálido, as sobrancelhas escuras, cerradas, a expressão, exausta.
Uma dor aguda explodiu na cabeça de Lúcia. Ela franziu o cenho por instinto, e a voz de Antônio veio apressada:
— Não se mexa. Fique deitada. Onde dói? O que você está sentindo?
— ...A cabeça. Dói.
Lúcia falou baixo. Na verdade, o corpo inteiro doía, como se os ossos tivessem se desmontado.
Mas ela percebia que não parecia haver nada grave, tinha batido a cabeça e ainda estava tonta.
— Dói muito? — Antônio olhou para a enfermeira. — Tem como aliviar?
— Vamos fazer uma compressa fria primeiro. No hospital, a gente examina.
A enfermeira pegou uma bolsa de gelo. Antes que encostasse na cabeça de Lúcia, Antônio tomou-a da mão dela.
Só que Lúcia percebeu a própria mão presa na dele, e os dois tão próximos... um incômodo súbito subiu pela pele. Ela desviou do gesto.
— Eu mesma faço.
A resposta distante caiu como água gelada, deixando Antônio visivelmente sem jeito.
Ele parou por um instante e soltou a mão dela.
Lúcia pegou a bolsa de gelo com naturalidade, respirou fundo e a pressionou na lateral da cabeça. O frio atravessou o corpo e, de fato, aliviou a dor por um momento.
— Mamãe!
Ao ver a mãe acordada, Denise correu até ela. Mas, assim que chegou, a alegria no rosto da menina se apagou.
No lugar, surgiu uma mistura de emoções, confusa e pesada.
Lúcia não percebeu. Ao ver Denise bem, sentiu, enfim, o coração sossegar.

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