Lúcia achava que Thiago não era esse tipo de homem.
Mas conhecer o rosto de alguém não era o mesmo que conhecer o coração; um herdeiro poderoso como Thiago podia muito bem ter um lado oculto.
Sófia sempre a tratara bem e, se fosse algo ao seu alcance, Lúcia queria ajudar.
— Sra. Paiva, a senhora o conhece? — os olhos de Sófia cintilaram por um instante.
Lúcia assentiu. — Digamos que sim. Ele é amigo de um amigo meu, aquele que você viu da outra vez.
Como se algo lhe ocorresse, Sófia hesitou por alguns segundos. — Sra. Paiva, a senhora está livre agora? Posso convidá-la para almoçar?
Lúcia entendeu que Sófia queria conversar.
Assentiu. — Claro. Mas deixa que eu pago.
Sófia não fez cerimônia; agradeceu e entrou no carro de imediato.
Lúcia levou Sófia a um restaurante discreto, reservado, com boa privacidade.
A imagem que Sófia sempre passara a Lúcia fora a de alguém solar e otimista. Era raro vê-la tão carregada de pensamentos; até o olhar parecia perdido, distante.
Depois de fazerem o pedido, Lúcia foi direto ao ponto. Sófia demorou a tomar fôlego, até dizer:
— Sra. Paiva, eu sei que não deveria incomodar a senhora com isso.
— Mas…
— Não tem problema. Fale. Se houver algo em que eu possa ajudar, eu vou fazer o possível.
A sinceridade tranquila no olhar de Lúcia desarmou Sófia, que enfim soltou o que guardava.
— A senhora poderia… me ajudar a saber mais sobre o Thiago?
— Saber mais sobre o Thiago? — Lúcia ficou um instante em silêncio. Ao ver Sófia baixar a cabeça assim que terminou, pensou em outra coisa. — Você… tem interesse nele?
— Sim… mas não é bem isso.
Sófia pareceu não saber por onde começar. — Ele é a cara de alguém que eu conheci antes. Idêntico. Só que ele não me reconhece.


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