Antônio agarrou o pulso de Lúcia com força.
— Chega! A Adriana passou a noite inteira sem fechar os olhos, acompanhando a Denise. E você? O que você disse para a sua filha? — A voz dele ficou cortante. — “Eu não quero você”? Lúcia, você ainda é mãe?
Ele também se decepcionara até o limite.
Mesmo que ela o odiasse, o culpasse, a filha não tinha culpa de nada.
Como ela podia dizer algo tão cruel?
Ela mudara por completo. Por dinheiro e interesse, já não era a pessoa que ele conhecera e em quem confiara.
O rosto de Lúcia ficou em brasa. Pela primeira vez, ela tentou explicar com seriedade:
— Aquilo foi dito porque ela me encurralou. A sua “querida” não é essa mulher frágil e digna de pena que você está vendo. Ela é venenosa. Para fazer a Denise me odiar, ela trouxe a Denise de propósito...
— Encurralou? — Antônio soltou uma risada gelada. — Na sua cabeça, todo mundo está errado com você? Todo mundo quer te fazer mal?
Lúcia olhou para dentro do quarto, para as costas pequenas da filha, e sentiu uma fisgada. Ela se soltou à força do aperto de Antônio e empurrou a porta, entrando.
Mas Denise, assim que a viu, reagiu com violência: enfiou-se debaixo do cobertor e cobriu a cabeça.
Como se não quisesse falar com Lúcia de jeito nenhum.
— Denise...
Lúcia tentou puxar o cobertor, a voz tremendo.
— A mamãe não te rejeitou. Escuta a mamãe, deixa eu explicar...
— Lúcia, você já viu a sua filha. — Antônio a interrompeu. — Agora, por favor, vá embora. A Denise precisa descansar.
Adriana se aproximou de Antônio no momento certo.
— Antônio, não se exalte. A Sra. Paiva só está desesperada...
— Adriana, pare com essa falsidade!

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