— Você acha que ela vai rescindir com a Verônica?
Lorenzo girou a cadeira de rodas e examinou Santiago com atenção.
Sobretudo o braço, machucado de modo tão evidente.
Com Santiago vigiando Lúcia, Lorenzo andara ocupado com os negócios. Mas, segundo os homens dele, o cuidado de Santiago com Lúcia fora minucioso, sem deixar nada ao acaso.
Lorenzo se lembrava: no começo, a ordem fora apenas que Santiago conquistasse a confiança de Lúcia e mantivesse cada passo dela dentro do seu controle.
Ele não pedira que Santiago fizesse tantas coisas “a mais”.
Santiago baixou a cabeça:
— Provavelmente, sim. Eu já a aconselhei.
— Aconselhou? Como você a aconselhou? — Lorenzo pareceu enxergar por trás da resposta. — Você contou a ela o passado entre você e Verônica?
Santiago não confirmou nem negou.
— Verônica é próxima de Lúcia. Em vez de deixar que ela contasse, eu preferi falar pessoalmente.
Lorenzo não se surpreendeu. Com Santiago voltando tão tarde, ele já suspeitara.
— Mas você não tem medo de que, depois disso, ela nunca mais confie em você?
— A franqueza levada ao extremo é a chave para conquistar confiança. A essa altura, eu estava disposto a correr o risco.
A resposta de Santiago continuou impecável, sem brechas.
Lorenzo o fitou por um tempo; de fato, não encontrou falha alguma. Depois de um instante, soltou uma risada pelo nariz.
— Ouvi dizer que você foi a Cidade Branca há pouco tempo. E esse braço... foi por causa da Lúcia?
Santiago respondeu, grave:
— Tudo foi pelo plano do senhor.
Lorenzo semicerrrou os olhos:
— É mesmo? Só pelo meu plano?
Santiago assentiu, firme e indiferente:
— Sim.


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