— Lúcia, você me odeia tanto assim?
— Sim. Eu te odeio.
Antônio soltou a mão dela. Uma dor surda atravessou o peito; ele se apoiou de repente na mesa e perdeu a firmeza.
Lúcia quis ir embora, mas, ao ver que ele não parecia estar fingindo, hesitou. Depois de um tempo, voltou até ele.
— Antônio…
— …
O rosto dele ficou pálido; uma camada fina de suor brotou na testa. Sem forças, ele tombou de lado.
Lúcia o segurou imediatamente. Ao sentir a temperatura escaldante do corpo dele, ficou assustada. — Aguenta… Onde dói? É o ferimento? Ou é o coração?
— …
Antônio cerrou os dentes e demorou muito a responder.
Um garçom do restaurante viu a cena e correu para perguntar o que houve.
Lúcia ia ligar para a emergência, mas Antônio a deteve. Ele se recompôs um pouco, puxou o ar e disse:
— Eu só preciso descansar um pouco.
— Você não parece bem. Tem algum remédio?
Lúcia notou que ele apertava o peito; o olhar dela se encheu de preocupação.
— Está com Orlando.
— Onde ele está?
— Eu não deixei ele vir comigo.
Antônio falou com frieza. No meio da frase, voltou a tossir, o rosto ficando vermelho; por um instante, parecia mesmo abatido, quase digno de pena.
Lúcia piscou, sem palavras.
Ela conhecia Antônio bem demais.
Se Orlando o visse naquele estado, Antônio preferiria morrer.
Sem alternativa, Lúcia levou Antônio de volta ao quarto do hotel.

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