Antônio ficou ajoelhado sobre a cintura dela, o rosto ruborizado, e nos olhos profundos se misturavam emoções indecifráveis.
Ele segurou o queixo dela com força e fitou os olhos avermelhados — ali havia não só raiva, mas uma ferida funda e um desespero sem saída.
— Lúcia — a voz dele saiu baixa e rouca —, a gente não consegue mais voltar?
Por que precisavam continuar caindo nessa loucura? Recomeçar era mesmo impossível?
— Antônio, você é ridículo — Lúcia tinha medo dele, mas ainda assim falou entre dentes, num sussurro.
— E se um dia você descobrir que me entendeu errado… você ainda vai me odiar?
A voz de Antônio era quase um murmúrio. As sobrancelhas grossas se fecharam, densas como tinta, e naquela face arrogante, que sempre parecia acima de tudo, surgiu, rara, uma ponta de desamparo.
Lúcia se sobressaltou. Aquilo era mais um jogo dele?
Antes que respondesse, uma gritaria feroz explodiu do lado de fora.
O grito agudo de Adriana, cortante, gelou o sangue:
— Ah! Antônio! Socorro…
Ao ouvir a voz, Antônio empurrou Lúcia, se levantou e saiu correndo.
Lá embaixo, Adriana estava caída no chão. Os seguranças se aglomeravam num tumulto. A testa dela tinha se aberto, e o sangue escorria.
E, do lado de fora da mansão, já se ouviam sirenes.
*
Pouco depois, Lúcia e Antônio chegaram à delegacia.
Dava para resolver por conciliação, mas Lúcia insistiu em ir até a polícia: denunciou Adriana e exigiu que o caso fosse registrado e tratado com rigor.
Antônio tentou dissuadi-la e não conseguiu. Acabou indo junto.

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