Sala reservada no último andar do Solar da Glória.
A porta do elevador se abriu; a mão do gerente geral apoiou-se no batente, ele curvou-se, sorrindo e recuando para o lado.
Thiago Valente e Ricardo saíram. Os seguranças que montavam guarda os reverenciaram respeitosamente com um "Senhor Valente", e logo em seguida empurraram a porta dupla da sala reservada.
O ambiente possuía uma iluminação fraca, e o ar estava impregnado de um forte aroma de vinho; mais ao fundo, o som incessante de vozes podia ser ouvido.
— Sr. Guimarães, minha sorte com dinheiro está mesmo tão ruim?
— Sr. Guimarães, calcule para mim: eu e meu velho baby ainda temos alguma chance de voltar?
— Sr. Guimarães...
— Sr. Guimarães...
— Calma, calma. Ninguém sairá daqui de mãos vazias.
Gustavo Guimarães, sentado num canto do sofá, exibia um sorriso largo. Ele usava óculos redondos de aros grossos, parecendo um verdadeiro nerd, e emanava uma grande afabilidade.
À sua frente, uma mesa cortada em mármore servia de base para cartas de tarô, cascos de tartaruga e moedas de cobre, todos itens voltados para o ocultismo.
Thiago Valente olhou para a mesa de bilhar do outro lado, com as mãos nos bolsos.
Eduardo Esteves parecia uma borboleta espalhafatosa. Com uma camisa florida estampada em tons de vermelho e branco, o cabelo úmido no estilo japonês, ele segurava o taco de bilhar enquanto circulava em meio a um grupo de mulheres bonitas, falando de maneira frívola:
— Prestem bem atenção; o seu irmão mais velho vai mostrar como se faz uma tacada.
A voz de Thiago Valente ressoou fria:
— Ricardo.
Se os dois amigos não tivessem enchido seu celular de ligações durante os últimos três dias, ele não teria reservado tempo para aparecer no Solar da Glória.
Ricardo compreendeu rapidamente:
— Entendido.
Ele começou a esvaziar a sala.
Neste momento, Gustavo Guimarães e Eduardo Esteves finalmente notaram que o amigo havia chegado.
Um deles dispôs rapidamente as cartas de tarô na mesa e acenou entusiasmado, chamando-o:
— Thiago, vem aqui! Deixa eu ler sua sorte no amor!
O outro largou o taco e correu desajeitado na sua direção, engrossando a voz num tom meloso e provocador:
— Thiago~
Thiago Valente abriu um sorriso gélido:
— Morra longe daqui.
— Beleza!
Eduardo Esteves mudou de alvo e voltou a provocar Gustavo Guimarães com o mesmo tom:
— Gustavo~
Gustavo Guimarães empurrou seus óculos grossos para cima e respondeu num tom seco:
— O que importa agora são os negócios.
Dez segundos depois, Thiago Valente estava encurralado entre os dois amigos, sob interrogatório pesado.
— Ouvi dizer que a residência principal queria acertar tudo com a Yasmin Almeida, mas você suspendeu. Confessa logo, foi porque sentiu saudades da gente?
Eduardo Esteves, que vivia flertando, imaturo, cheio de pose de conquistador, mas até aquele dia era virgem e passava incólume por todas as paixões sem jamais se apegar;
e Thiago Valente, o mais reservado de todos.
Desde a escola, enquanto todo mundo começava a flertar, ele sempre ficara de fora. Cada carta de amor recebida era rejeitada na hora, sempre com o mesmo pretexto: "Sinto muito, você não faz o meu estilo."
Depois que assumira o controle do grupo empresarial, seus dias eram apenas trabalho e viagens, fazendo Gustavo Guimarães e Eduardo Esteves se preocuparem, até que um dia, no calar da noite, tiveram coragem de perguntar a Thiago Valente:
— Irmãozinho, seja sincero, a sua orientação... está tudo normal?
— Prefiro que seja uma faca cravada nas costas do que...
Sobre isso, Thiago Valente apenas disse serenamente:
— A minha orientação é bem mais normal que a de vocês.
Ele simplesmente não namorava, mas sabia o que sentia.
Ao ouvir que o amigo teria um romance, Eduardo Esteves animou-se:
— Espera, você ter um romance?!
A dúvida não era sobre os atributos do amigo, mas sim porque Thiago Valente jamais permitira a aproximação de qualquer mulher.
Thiago Valente lembrou-se mais uma vez de Liana Mendes.
Em sua mente, flutuava um olhar lacrimoso e embaçado que não o abandonava, além da vaga sensação de que o aroma perfumado deixado por ela ainda estivesse nas suas narinas.
Era tão doce.
Foi a primeira vez na vida que ele tomou a iniciativa de entregar o seu cartão a alguém.

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