Eu estava do lado de fora da loja de Ember que tinha um nome nada tradicional e de difícil pronunciamento, além da fachada ser exagerada e o movimento de clientes ser bastante pouco para uma loja daquele tamanho.
Ajeitei o meu paletó, dei uma conferida no meu reflexo na porta de vidro preta e finalmente entrei no lugar. Havia uma recepcionista mexendo no celular e mascando chiclete. Ela fazia uma bola enorme que estourou, grudando em sua boca, quando eu me aproximei. O barulho que vinha de seus lábios era insuportável e ela não percebeu ou não deu atenção quando me encostei no balcão.
Passei os olhos pelo local, nenhum sinal de Ember. Será que Daphne não havia se confundido e me passado a informação incorreta? Eu realmente queria acreditar que esse era o motivo pelo mal-entendido.
— Estou aqui para falar com a senhorita Ember – eu disse, me direcionando à jovem parada à minha frente.
Ela continuou mascando seu chiclete e com os olhos vidrados no celular.
— Precisa marcar horário para falar com ela – me respondeu sem olhar nos meus olhos.
— E quando ela poderá me atender?
— Isso não é comigo, é com o setor de relacionamentos.
Uma carranca se formou em meu rosto. Por que uma loja completamente vazia, com funcionários mal-educados, precisaria de um setor de relacionamentos? Era bem incoerente. Ember era algum tipo de celebridade que não podia reservar um tempo para conversar com os seus clientes?
— Senhorita, eu sou um cliente importante, eu não posso esperar. Preciso falar com a senhora Ember agora mesmo.
— Você não ouviu o que eu disse, cara? – foi nesse momento que ela elevou os olhos e me olhou, mas não havia nenhum constrangimento em seu rosto – eu não quero saber quem você é, para falar com a senhora Ember vai precisar entrar na fila.
Que linguajar horrível era aquele. Ninguém jamais havia falado comigo desse jeito. Eu deveria ter vindo preparado, mas como eu poderia imaginar que encontraria um péssimo atendimento, ainda mais uma enorme barreira entre mim e Ember.
Eu estava pronto para sair dali e esquecer essa história, me convencendo de que talvez Daphne estivesse certa em afirmar que Ember não podia ser minha esposa perdida, quando eu a vi saindo pelos fundos da loja e caminhando em minha direção com mais dois homens ao lado dela. Observei Ember vindo, caminhando em seus saltos altos, mas ela estava distraída ao telefone, sorria alto e parecia muito sedutora com quem quer que fosse.
Assim que ela desligou o telefone, eu me aproximei e, como se eu fosse uma ameaça eminente, os dois homens correram em minha direção e me cercaram.
— Senhorita Ember, esse homem insiste em falar com você – a moça do chiclete apontou para mim com desprezo enquanto os homens me intimidavam com sua postura.
Ela me olhou de cima a baixo, uma pitada de aborrecimento em seu rosto.
— Quem é você e o que quer comigo? – eu costumava ser confiante, mas me vi nervoso diante dela.
— Estou interessado em algumas joias – olhei para a prateleira. Eu sabia diferenciar uma joia de bijuteria e ali não havia joia alguma – mas quero tratar pessoalmente com a proprietária do lugar.


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