Daphne
Adormeci enquanto esperava a cirurgia da Rosália terminar. Acordei com uma mão me tocando e, quando abri os olhos, levei um susto me encolhendo, como se o toque, mesmo discreto, de Ember me causasse arrepios.
— Eu também não gosto de ver você, Daphne – ela revirou os olhos – vim aqui só para ver como ela está.
Havia um enorme desprezo no tom de voz dela, como se fosse uma obrigação ela estar ali, ou talvez Ember somente tivesse ido para se certificar de que eu não mexi no dinheiro da venda da casa.
— Eu já sei que você tentou tirar o dinheiro do banco - ela olhou para as unhas. Eu me levantei, realmente furiosa – falei que você não ia conseguir.
— Você só pensa no maldito dinheiro – eu a recriminei, mas ela não se intimidou.
— Sei o peso de conquistar as coisas, Daphne, já você – ela sempre fazia questão de me lembrar que eu era uma fracassada – talvez um dia você entenda.
— Eu não sou igual a você – eu disse, virando as costas para ela – eu consegui o dinheiro para a cirurgia dela, mesmo depois de tudo o que Rosália fez comigo.
Ela riu, como se o que eu dissesse fosse realmente muito engraçado. Eu me virei imediatamente para entender o que acontecia e Ember se divertia com a situação.
— Realmente não somos nada parecidas. Eu não seria tão idiota como você.
Fiquei olhando para ela, se gabando, enquanto se sentia superior a mim e me deu uma preguiça de falar com ela. O dia havia sido longo e insuportável. Meu pescoço latejava das horas longas em que eu havia passado sentada naquele banco desconfortável. Minha mente estava tão confusa e bagunçada que eu não queria prolongar ainda mais o meu sofrimento.
Girei o corpo e resolvi ignorar a presença de Ember. Eu não queria saber dos seus motivos em estar ali. Eu só queria que a cirurgia de Rosália terminasse e eu pudesse voltar para casa para dormir.
— O que o seu chefe fazia aqui? – a pergunta dela fracassou todos os meus planos – foi ele quem pagou a cirurgia da Rosália?
Eu senti o sangue parando de circular pelo meu corpo enquanto meu rosto formigava.
— Não é da sua conta – virei o pescoço para o outro lado e fechei os olhos.
— O que você deu em troca pelo grande favor? – Ember estava me provocando – ele não parece um homem que gosta de mulheres como você.
O veneno escorrendo pelos lábios vermelhos dela fez meu estomago embrulhar. A última coisa que eu queria agora era falar sobre o Haiden, ainda mais com a minha irmã megera.
Por mais que eu quisesse dar a ela uma boa resposta, eu continuei calada, ignorando sua existência. Meu celular vibrou de repente e, quando olhei na tela, tinha uma mensagem de Haiden.
Meu coração bateu mil batidas em um minuto. Minhas bochechas ficaram quentes de repente. Relutei muito antes de abrir a mensagem. Fiquei pensando em suas palavras duras e arrogantes e pensei que o texto escrito poderia ser mais um de seus castigos contra mim.
Percebi que os olhos de Ember se estreitaram até o meu celular. Eu me levantei imediatamente e me afastei dela. Eu queria contar que eu era a esposa do homem mais rico da cidade, mas o meu marido havia me proibido de fazer isso.
Fiquei o mais longe possível dela. Quando abri a mensagem, a li.
“Me avise quando a cirurgia terminar. Não precisa vir trabalhar amanhã.”
Soltei um suspiro de alívio.

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