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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 489

Celeste teve a voz interrompida.

Seus olhos se encontraram com o olhar negro dele, que parecia coberto por uma camada de gelo transparente.

O velho continuou insistindo:

— Vão logo. Antes que a chuva piore e a estrada fique ainda mais difícil.

Celeste contraiu os lábios.

Não ficaria bem insistir numa briga com Gregório bem na frente de Bryan.

Ela não teve outra escolha a não ser se aproximar e puxar a maçaneta da porta de trás.

Gregório lançou-lhe um olhar desinteressado:

— Eu não sou seu motorista.

Celeste olhou de volta:

— Tem permissão para sentar no banco do carona?

Como se não entendesse de quem ela estava falando, Gregório retrucou:

— E precisa da permissão de quem?

É claro que Celeste não via necessidade de discutir isso com ele. As conversas entre os dois eram sempre assim: superficialmente calmas, mas, na realidade, um confronto de lâminas afiadas.

Continuar discutindo era inútil.

Celeste simplesmente deu a volta e sentou-se no banco do carona.

Hoje, Gregório havia dirigido até ali sozinho. Ele entrou no carro e deu a partida sem dizer uma palavra.

Celeste, no entanto, reparou num pequeno amuleto de pano azul pendurado no retrovisor.

A cor era muito bonita, um tom bem discreto.

Na verdade, ela entendia um pouco sobre esse tipo de coisa. No passado, como Laura ficava doente com frequência, ela ia até à igreja buscar pequenos amuletos de proteção. Sem dúvida, aquele saquinho também continha algo do tipo.

Contudo, ela não se lembrava de Gregório ter o costume de pendurar essas coisas no carro.

Ainda mais porque.

Ele nunca fora alguém supersticioso.

Principalmente porque a cor, de fato, era do agrado feminino.

Inevitavelmente.

Havia sido Dulce quem o pendurara.

As marcas de outra mulher agora ocupavam o espaço privado de Gregório.

Celeste não demonstrou qualquer emoção.

O interior do carro estava escuro.

Tanto que um reflexo brilhante acabou chamando sua atenção.

Ela olhou pelo canto do olho.

Na mão de dedos longos e bem desenhados de Gregório, que repousava sobre o volante, uma aliança simples refletia uma luz fria.

Ultimamente, Laura tinha o costume de fazer uma chamada de vídeo com Celeste antes de dormir.

Mas hoje o momento era inoportuno.

Gregório virou ligeiramente o rosto, com um olhar indecifrável:

— Pode atender. Não vai me deixar ver a sua filha?

Ele tinha visto.

O ícone que saltara na tela agorinha pouco, um personagem de desenho animado bem infantil.

Mas as palavras dele enviaram um calafrio espinha abaixo de Celeste.

Ela recusou a chamada e enviou mensagens de texto para consolar Laura.

Gregório não a estava olhando, mas sabia perfeitamente o que ela fazia, e seu tom foi muito ameno:

— Que pena, não poderei conhecer a sua filha e nem descobrir que tipo de pessoa é o pai da criança.

Apesar do tom aparentemente casual, Celeste sentiu as lâminas escondidas em suas palavras.

Mesmo assim, ela não se deu ao trabalho de explicar.

Como se simplesmente concordasse com as entrelinhas de Gregório.

Ela guardou o celular e respondeu:

— Se tudo que você quer é um pedido de desculpas meu, eu posso repeti-lo dez, cem vezes. Quer que eu faça isso?

Dessa forma transparente, ela expressou que estava disposta a pedir desculpas pela sua "traição".

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