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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 689

A atitude de Gregório foi quase como uma faca afiada, sem dar qualquer margem a Dulce.

Aquela frieza desalmada a fez enrijecer por completo.

Seus olhos se arregalaram descontroladamente.

— ... Mesmo que seja mentira, você nem tenta me enrolar com algumas palavras?

— Você acha que merece?

A expressão de Gregório não mostrava nenhuma alteração, mas, naquele momento, a sua voz continha uma frieza e crueldade impossíveis de serem ignoradas.

Usando o tom mais indiferente, foi capaz de estilhaçar qualquer um.

A mão de Dulce, que segurava os ombros de Laura, começou a tremer.

Seu peito subia e descia sem ritmo, num completo caos.

Ao mesmo tempo, o ódio fez seus olhos ficarem vermelhos de fúria.

Ele não lhe dava esperança, não lhe dava consolo e, acima de tudo, não cedia à pressão.

Não estava disposto nem a dizer uma falsa declaração de que tinha gostado dela, esmagando o seu orgulho aos poucos!

Mesmo que ela tivesse feito reféns três pessoas, ainda assim não conseguiria o que queria!

Vinicius percebeu que Dulce, de fato, mergulhara num colapso e ódio extremos por causa da atitude de Gregório. Ele fixou o olhar em Celeste; não sabia o que tinham feito com ela, mas estava com os olhos fechados e as sobrancelhas franzidas.

Como ela estava inconsciente, Dulce nem se deu ao trabalho de amarrá-la.

Mas uma pessoa inconsciente jogada na cadeira, com um abismo logo atrás, escorregaria e cairia para a morte num mínimo descuido.

Ele franziu a testa profundamente.

E olhou novamente para Gregório.

— Diretor Souza, o mais importante é salvar as pessoas. — Ele baixou a voz para “lembrar” Gregório.

Numa hora daquelas, o melhor a fazer era não irritar Dulce.

Afinal, o tempo estava correndo.

Fagner também ficou com o rosto sombrio:

— Não seria melhor enrolá-la um pouco primeiro?

Gregório não disse nada.

Ele fixou os olhos em Celeste e, em seguida, voltou-se para Laura, que tinha os olhos cheios de lágrimas, mas não chorava nem se debatia. Passou por Fagner e aproximou-se de Dulce passo a passo.

— Você quer dinheiro, quer ir para o exterior, posso providenciar tudo isso. — Gregório fitou Dulce intensamente, com os passos lentos e pesados. — Mas, se algo der errado aqui hoje e alguém sair machucado, tudo o que você quer não passará de uma ilusão. Até lá, a sua mãe não será a única a ser julgada. O Gilmar Alves não é seu pai biológico e o seu filho é pequeno, ninguém vai se importar se ele viver ou morrer.

Sua voz parecia ter um poder mágico.

Perfurava a parte mais profunda da mente de alguém de forma irresistível.

Se não usasse esse método, ela jamais conseguiria sair da Cidade Imperial. A Família Alves estava sendo investigada, Amanda havia sido detida, a ficha criminal dela mesma se tornara pública e agora estava na lista negra; não podia sequer usar os meios de transporte mais básicos.

Ela não tinha mais escolha.

Não ia se deixar ser torturada até a morte!

Gregório permaneceu parado, com um olhar impassível.

Foi Vinicius quem falou primeiro:

— Eu posso providenciar, mas vai levar tempo. Preparar o avião e a rota exige tempo.

Dulce soltou um sorriso de escárnio:

— Não adianta tentarem me enganar para ganhar tempo. Se eu não vir o avião em meia hora, empurro uma delas.

— Sem problemas.

Vinicius respondeu calmamente.

Com o canto do olho, Gregório percebeu que Celeste pareceu se mexer, prestes a acordar.

Ele franziu as sobrancelhas levemente, os cílios escondendo a emoção em seus olhos.

Então, enquanto Vinicius negociava com Dulce, ele virou a cabeça sutilmente.

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