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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 691

A voz de Dulce fez o rosto de Ismael mudar.

Ele virou a cabeça para olhar.

Celeste já havia aberto os olhos, sem que ele percebesse quando.

Naqueles olhos não havia nenhuma emoção.

Sem raiva, sem mágoa, sem ressentimento.

Apenas calma.

Uma calma que parecia esperada por ela.

E foi exatamente essa calma, como uma lâmina invisível, que fez a expressão de Ismael ficar péssima de repente. Ele não pretendia abandonar Celeste; era apenas uma solução provisória.

Afinal de contas, Dulce e Valéria já tinham tido atritos e mal-entendidos antes.

Não era improvável que Dulce realmente se vingasse de Valéria, mas com tantas pessoas ali para manter a situação sob controle, Dulce não ousaria tocar em Celeste tão facilmente, que era o escudo mais vantajoso que tinha.

— Eu não quis dizer isso. — O coração de Ismael deu um solavanco e ele se explicou instintivamente, como se tivesse se queimado.

Valéria também se apressou a explicar:

— O Ismael se importa com a filha dele no fundo, foi só no desespero do momento. Ele não fez por mal, Sra. Lopes. Por favor, não leve a mal.

— Cale a boca! — Fagner estava fervendo de raiva. Ele até mesmo sentiu a injustiça por Celeste e o coração apertado. Afinal, ser abandonada pelo próprio pai, e ainda ouvir isso pessoalmente, machucaria qualquer um.

Dulce, por outro lado, estava extremamente satisfeita.

Finalmente, Celeste havia sido deixada em segundo plano.

Desde que alguém abandonasse Celeste, ela ficaria feliz.

Ela virou a cabeça e olhou para Celeste:

— Leve as minhas palavras a sério. Veja só, mesmo que você seja realmente a senhorita da Família Vargas, ninguém se importa com você. O sangue não se compara ao afeto construído pela convivência diária. O que você acha que significa, Celeste?

Na verdade, Celeste esteve consciente o tempo todo.

Era só porque os efeitos no corpo ainda não haviam se dissipado, que ela não conseguia encontrar forças.

Até que.

— Eu só quero que você saiba como eu me sinto. — O humor de Dulce melhorou. É claro que ela não seria imprudente a ponto de encostar um dedo em ninguém naquela altura do campeonato.

Até que visse o helicóptero, ela não arruinaria a sua própria chance.

Apenas queria enfiar o dedo na ferida de Celeste.

— Solte a Laura e eu fico à sua mercê. — O coração de Celeste estava apertado, mas seu tom era frio: — A Laura é uma criança da Família Rocha. Você é inteligente, não deve querer arranjar mais um inimigo tão poderoso.

Gregório olhou para ela ao ouvir o destaque dado à frase "criança da Família Rocha".

É claro que Dulce entendia aquela lógica.

As crianças são as raízes de uma família, e ela só havia pego Laura para arrancar dinheiro da Família Rocha também.

Evidentemente, não a mataria.

As suas verdadeiras inimigas eram apenas Celeste e Valéria.

Uma era a mulher que a impediu de entrar para a Família Vargas, e a outra, a mulher que tirou tudo dela.

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