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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 700

A expressão de Celeste escureceu.

Afinal, a gravidez era, de fato, um escudo protetor.

Mas ao lembrar do sofrimento que Laura havia passado, ela sentiu um ódio profundo.

Isso era deixar as coisas muito fáceis para Dulce!

Era como deixá-la impune, livre para fazer o que quisesse!

— Fique aqui com o Gregório. — Urbano disse: — Quanto à Dulce, para ser sincero, estar do lado de fora nem sempre é mais confortável do que estar lá dentro.

Ele não disse mais nada além disso.

Olhou para Celeste, depois para Gregório, virou-se e saiu do quarto.

No quarto, restou apenas o som do funcionamento dos aparelhos. O silêncio era tanto que o ambiente parecia vazio.

Celeste continuou sentada,

olhando para Gregório, que permanecia de olhos fechados.

O rosto dele estava de uma palidez inimaginável.

A condição dele parecia ainda mais grave do que Urbano havia descrito.

Mesmo durante o sono profundo, suas sobrancelhas estavam franzidas.

Ela pensou em muitas coisas, e muitas delas não tinham resposta.

Durante todo esse tempo, Gregório nunca havia pensado em se comunicar com ela sobre nada. Suas ações, seus planos, tudo era mantido a portas fechadas para ela.

Ela não sabia quanto tempo havia se passado.

Gregório acordou.

Ele abriu seus olhos escuros. Houve um momento de confusão em seu olhar, mas logo se tornaram completamente nítidos. Ao encontrar os olhos de Celeste, ele não se surpreendeu: — Esteve esperando por mim esse tempo todo?

A voz dele estava rouca.

A rouquidão dava-lhe um ar muito mais relaxado e preguiçoso.

Celeste hesitou por um momento, pegou o copo de água na mesa de cabeceira e colocou o canudo perto dos lábios dele: — Não, cheguei agora há pouco.

— Hm, certo.

Ele não duvidou da veracidade da resposta, nem questionou. Deu uma olhada no canudo, abriu a boca e deu um pequeno gole para umedecer a garganta.

— Quer que eu chame o médico? — Ela perguntou, afastando o copo ao perceber que ele não queria beber mais.

— Eu não vou morrer. — Gregório estava sem forças e falou de forma arrastada: — Como está a Laura?

Mesmo naquela situação, ele ainda tinha energia para ser irônico.

O pior era que, quando ele dizia coisas desagradáveis, sua expressão permanecia exatamente a mesma de sempre, um misto de indiferença e cinismo que tornava impossível decifrá-lo.

— Você pode encarar como preocupação, se esse tipo de consolo é o que você precisa. — Ela sentiu que sua língua afiada não ficava atrás da dele.

Desta vez,

Gregório olhou para ela com indiferença, o rosto pálido e bonito sem nenhuma alteração. Ele foi direto ao ponto: — Não precisa dar voltas. Se tem algo a dizer, pode falar de uma vez.

Ele era sempre tão perspicaz.

Celeste soltou um suspiro profundo.

Ela decidiu não enrolar mais.

— Eu realmente devo lhe agradecer pelo que fez pela Laura. Confesso que fiquei surpresa que você tenha chegado a esse ponto, embora eu não consiga entender o motivo. — Ela cravou o olhar nele: — Mas o que eu quero perguntar é sobre o plasma.

— O que tem o plasma?

As palavras estavam na ponta de sua língua. Ela teve que engolir a força a pergunta: Você sabe sobre a paternidade da Laura?, reformulando-a antes de verbalizar.

Gregório ergueu o olhar, encarando-a fixamente, sem se esquivar em nenhum momento.

— Celeste, você quer me explicar algo, ou quer que eu explique?

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