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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 807

Suas palavras não davam margem para nenhuma discussão.

E, acima de tudo, o olhar era tão afiado quanto uma lâmina.

Não havia o mínimo de afeto, apenas escrutínio, desprezo e indiferença.

Era como se a efêmera ambiguidade e os rumores públicos envolvendo os dois, para ele, não significassem nada. Como se ela fosse completamente insignificante diante de Gregório.

Muito menos...

Que ele fosse se rebaixar a ponto de se importar com ela ou de assumir algum compromisso.

A aversão de Gregório por ela estava escancarada.

Naquele instante.

Winter foi tomada por um pensamento intenso.

Parecia que, independentemente do que fizesse, jamais conseguiria despertar o interesse de Gregório, por menor que fosse.

A constatação doeu fundo. O rostinho inocente de boneca de Winter perdeu a cor na hora.

— Não... Eu só achei que fosse impossível...

Laura era, evidentemente, filha da família Rocha.

Como poderiam criá-la como se fosse de Gregório?

E era impossível que Gregório permitisse algo assim.

A situação era tão embaraçosa que parecia surreal. A única explicação plausível era que Gregório tivesse mentido de propósito para limpar a imagem de Celeste perante a opinião pública.

— O que tiver para me perguntar, falamos em particular.

Mas Gregório não estava disposto a perder tempo com Winter. Voltou-se para Celeste e proferiu essas palavras.

Ele, mais do que ninguém, entendia o turbilhão de emoções pelo qual Celeste, a principal envolvida, estava passando.

Certas coisas.

Só podiam ser discutidas entre os dois.

Os lábios de Celeste estavam pálidos de tão contraídos.

Seu olhar percorreu o ambiente.

O alarde que Gregório havia feito na Universidade Imperial logo chegaria aos ouvidos do público. Apenas a notícia de sua doação de cem milhões já renderia as manchetes.

Em breve.

A família Souza também descobriria sobre a Laura.

Ela quase conseguia visualizar a fumaça e o fogo da batalha se aproximando.

Sempre temera que este dia chegasse.

— Os problemas da Celeste já não dizem respeito ao senhor, não é mesmo, seu ex-marido?

— Se o Diretor Rocha tivesse lidado bem com a situação e não deixasse ela e a criança serem alvos de ataques, seria necessária a minha intervenção?

Gregório retrucou calmamente.

O rosto de Vinicius ficou ainda mais severo.

— Há muitas maneiras de se resolver isso. Qual é a sua verdadeira intenção agindo assim, Diretor Souza? Preciso te lembrar de uma coisa? A Laura leva o sobrenome Rocha.

Desde o momento em que escutou Gregório assumindo a paternidade de Laura publicamente.

Como homem, ele já deduzira os planos em longo prazo de Gregório. Ele atacara primeiro, vinculando Laura a si e a Celeste, excluindo a família Rocha por completo da narrativa pública.

Fosse a intenção de Gregório arruinar a relação dele com Celeste.

Ou, pior ainda, que ele já soubesse a verdade sobre a paternidade de Laura e estivesse montando uma armadilha, impedindo que a família Rocha a retivesse futuramente.

Para ele.

Ambas as opções eram terríveis.

Quanto à provocação do sobrenome.

O olhar de Gregório pousou devagar sobre ele, gélido.

— Diretor Rocha, o que é seu não lhe escapa. E o que não é seu... por que insistir em roubar?

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