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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 810

Mateus Silva não estava presente naquele dia, e Gregório ocupou o assento do motorista.

Ele pisou fundo no acelerador.

O seu perfil mantinha-se severo e destituído de qualquer calor enquanto olhava fixamente para a estrada.

O interior estreito do veículo parecia estar repleto apenas pela respiração dos dois; a atmosfera era pesada, constrangedora e à beira da explosão.

Celeste fechou os punhos com tanta força que as unhas se cravaram em suas palmas, forçando-a a manter seus últimos resquícios de calma.

— O que exatamente você pretendia hoje? — Ela respirou fundo e se virou. — O que quer dizer com a Laura ser sua... filha?

Ela fez o seu máximo para esconder a voz trêmula.

E tentar manter a compostura.

Vrum...

Ele pisou fundo no acelerador. O barulho do motor ecoou como um soco no coração dela.

Gregório não desviou o olhar, acelerando de forma brusca com os olhos frios.

— Com a situação atual, você não acha que a que deveria ser franca comigo é você?

Celeste arregalou os olhos.

— Não sei do que você está falando.

— Celeste.

Gregório pronunciou o nome dela com uma voz baixa e suave, como se estivesse segurando alguma coisa na garganta.

— Eu te dei muitas oportunidades. Perguntei mais de uma vez. Mas você sempre se recusou a me dizer a verdade. Você queria esconder que a Laura é a minha filha. Esconder isso pelo resto da vida.

No exato instante em que aquelas palavras foram proferidas.

Celeste, para a sua própria surpresa, não sentiu qualquer pânico.

A angústia opressiva e quase asfixiante começou, gradualmente, a desvanecer-se.

Gregório descobrira.

Descobrira toda a verdade.

E não era uma mera suposição.

Era uma convicção, uma certeza absoluta.

Apertando o volante, Gregório voltou-se lentamente, os olhos límpidos cravados nela.

Passado um bom tempo, ele disse:

— Em algum momento eu disse que a criança mudaria alguma coisa entre nós?

Os lábios de Celeste comprimiram-se em um sorriso desdenhoso.

— Então, que tipo de prestação de contas você quer de mim agora, Diretor Souza? Que eu me desculpe? Que eu implore o seu perdão?

Cada palavra que ela falou saiu dura e bem medida.

— Não me interessa como você descobriu, Gregório. Mas nem sonhe em tirar a minha filha de mim. Se você ou a família Souza tentarem alguma coisa, eu prefiro morrer a me render!

Mesmo que a situação já tivesse saído completamente do controle.

Ela não tinha mais para onde correr.

Melhor colocar todas as cartas na mesa.

Gregório a fitou atentamente. O olhar de Celeste transmitia determinação, cautela, e, acima de tudo, o ódio feroz de uma batalha de vida ou morte. O seu pomo de adão movimentou-se levemente.

— Então você confessou. Você teve uma filha minha.

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