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Nosso Casamento Tinha Prazo romance Capítulo 90

Celeste sabia que Gregório ainda estava no hospital.

Ele tinha cancelado toda a sua agenda lotada para fazer companhia ao irmão da sua inesquecível ex, que sequer tinha machucados graves.

Pelo menos, aquilo lhe poupava o trabalho de procurá-lo.

Laura já estava no soro, e o machucado em sua cabeça havia sido desinfetado e tratado.

A menina tinha adormecido.

Celeste arrumou suavemente a coberta ao redor dela.

Seu coração, que havia sido perfurado por uma frieza cruel, começou a se aquecer aos poucos.

Ao ver a mensagem de Dona Glenda avisando que já estava no mesmo andar, ela virou-se e saiu do quarto na ponta dos pés.

Como perdera um dos sapatos, Celeste caminhava mancando, com um pé descalço. Assim que saiu do quarto, perto do corredor virando a esquina, Gregório virou o rosto e fixou o olhar.

Sua visão desceu até notar.

O pé descalço da esposa.

Seus olhos, então, se voltaram para aquele quarto.

— Diretor Souza, a situação na delegacia já foi devidamente resolvida. A Sra. Rocha decidiu não levar o assunto adiante. — A voz de Mateus chegou através do celular.

Com uma mão no bolso e o olhar fixo na direção do quarto, Gregório deu largos passos à frente:

— Ninguém se machucou?

— Acho que sim... — Mateus pareceu incerto e hesitou antes de continuar: — Disseram que havia uma criança no carro da Sra. Rocha, mas quando eu cheguei, eles já tinham ido embora.

O olhar de Gregório escureceu com indiferença:

— Uma criança da Família Rocha?

— Segundo o que ouvi, a senhora a levou consigo. A criança se feriu dentro do carro e eles não podiam perder tempo, então foram buscar atendimento médico imediatamente.

Gregório, a essa altura, finalmente chegou à porta do quarto de hospital.

Ele a observou de soslaio.

Pousando a mão na maçaneta.

— Entendido.

Ao desligar a ligação, ele girou a maçaneta.

A porta se abriu levemente, revelando uma fresta.

— Gregório, precisamos conversar.

A voz repentina de uma mulher soou em suas costas.

Afinal, conhecia o conteúdo melhor do que ninguém.

Sete anos atrás, cada palavra daquele documento fora gravada a fogo em seus ossos.

Mas agora, havia chegado a hora de arrancar o espinho que a castigava por tanto tempo.

Ela tomou fôlego e, com uma tranquilidade absurda, sustentou o olhar opressor dele.

— Gregório, vamos nos divorciar.

As íris de Gregório pareceram escurecer de repente.

Ainda assim, seu rosto não demonstrava nenhum sinal de emoção.

Ele continuava a encará-la, em completo silêncio.

A Celeste, isso não importava mais.

A especialidade de Gregório sempre foi ignorá-la e tratá-la com desprezo congelante.

Dando um passo à frente, ela empurrou o envelope contra o peito dele.

Sua voz soou mais leve do que nunca:

— Não vamos continuar prolongando isso. O nosso fim já estava selado desde o começo. Eu espero você amanhã no cartório. Vou lhe enviar o horário. Não me deixe esperando.

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