Nosso Passado Capítulo Três - 2

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Parte 2...

— Você tem experiência como garçonete?

— Não - ela mexeu o ombro — Mas eu sempre trabalhei duro em outros empregos.

— Bem, não é um bicho de sete cabeças - guardou a folha na gaveta — Logo você pega o jeito, as meninas vão te ajudar e eu também. Não sou uma feitora de escravos. Gosto de gente trabalhadora e responsável.

— Ah, isso eu sou.

— Ótimo. Pode começar agora mesmo. Os horários nós acertamos mais tarde quando eu fizer a planilha de trabalho incluindo você - explicou — Tem uma hora de descanso e as gorjetas são suas. Alguns dias vai pegar o horário noturno. Algum problema?

— Não, de forma alguma.

Lorena franziu o rosto.

— Quantos anos você tem?

— Farei vinte e sete em breve.

— E não tem ninguém para sair à noite? Um namorado?

— Não!

O modo rápido e frio como ela falou chamou a atenção.

— Certo... Acho que te entendo - ela sorriu balançando a cabeça — Nada de homens em sua vida, não é? Sei bem como é isso.

Lorena não insistiu em questionar nada. Passou os detalhes do serviço, acertou o pagamento e mostrou onde poderia descansar e guardar os pertences.

Ela ouviu com com atenção e se manteve na personagem. Agora que o jogo tinha começado efetivamente era só aguardar o próximo movimento do inimigo e enquanto isso ficaria de olhos e ouvidos bem atentos a tudo.

***************

No início da noite Mathias chegou à casa da mãe. Márcia estava em casa, o carro dela estava na grande garagem para vinte carros. E ela fazia questão de encher o espaço.

A mãe tinha três carros e ela doze. Nem ele que gostava muito de carros, não tinha tantos assim. Bastava sua pick-up e mais dois esportivos. Tinha um Aston Martin e uma Ferrari.

Passou pelo hall cheio de pinturas caras e outros objetos de arte que as duas amavam colecionar. Quando era pequeno, uma vez ficou de castigo porque a mãe achou que havia quebrado um vaso antigo, quando na verdade tinha sido Márcia e o culpara.

A mãe sempre tivera um comportamento exagerado, em especial com os filhos. Sempre houve atritos entre eles quando mais jovem porque ela queria ditar sua vida.

Depois do ocorrido com Anelise isso piorou e acabaram se afastando um pouco. Ele já não morava mais naquela mansão, mas vinha visitar as duas durante a semana. Ambas eram possessivas com relação à ele e isso não

Márcia estava esparramada na espreguiçadeira, tomando um drinque e com o celular grudado na orelha, como sempre. Pela animação da conversa ela deveria estar de papo com alguma das amigas fúteis que não faziam nada.

Deixou-a para lá e voltou para dentro em busca da mãe.

Mãe? - chamou-a alto para saber onde estava.

— Aqui! - ela respondeu da sala de televisão.

entrou na sala e encontrou a mãe sentada na poltrona grande com as pernas elevadas no banquinho

noite - ele foi em direção

vai dar um beijo em sua mãe - chamou com a mão para que viesse

não estava de bom humor e só a olhou um instante antes de pegar a garrafa e o copo. Abriu o frigobar e pegou um cubo de gelo colocando no copo e se servindo

novidade? - Luiza perguntou achando a cara dele estranha, mais fechada do que

Até tenho - ele suspirou contrariado — Mas não sei se é boa ou ruim - deu a volta e sentou no sofá

problema com a empresa? - ela se ajeitou na poltrona — Você tem que deixar que os diretores façam o trabalho deles, meu filho. De que adianta ser o dono se não pode tirar férias? Por que não tira uns dias para relaxar - ela deu um sorriso complacente — Saia com alguma boa garota. Você precisa se casar, Mathias, daqui a pouco estará velho para ser

nunca vou me casar - deu um sorriso lânguido e provou mais da bebida — E você sabe bem

Ah, que bobagem - abanou a mão com força — Você tem que parar de ser tão