Nosso Passado Capítulo Cinco - 3

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Parte 3...

Ainda não eram nove horas da noite quando ela acabou o turno. Queria ir para casa e descansar. Tinha ouvido algumas coisas depois que Mathias saíra e trabalhou direto. E tinha atendido um telefonema estranho.

— Restaurante O Rancho, boa noite.

— Hum... Boa noite - a pessoa pausou — Você sabe me dizer... Se há uma funcionária aí... Ela é nova... Se chama Anelise.

Ela franziu os olhos sem reconhecer a voz do outro lado. Quem estaria procurando por ela?

— Desculpe, não conheço todos os funcionários - ela mentiu — Eu também sou novata aqui.

— Ok... Tudo bem então, eu agradeço.

Ele desligou. Quando Lenora perguntou quem era, ela disse que fora engano. Ficou pensando em quem poderia ser, mas depois se distraiu com o trabalho e com a observação das pessoas que entravam no local. Estava de ouvidos atentos.

Ela ficou pensando na atitude grosseira de Mathias. Ele também havia mudado. Não era mais educado, carinhoso como antes, era frio e grosseiro.

Ele não acreditou no que lhe disse sobre Luiza. Claro. Antes ele ficou do lado dela, porque agora seria diferente?

Ver como Luiza ficou nervosa e preocupada foi ótimo. Se sentia bem começando a dar o troco nela. Sua hora chegara.

Não era de sua índole causar dor e sofrimento a alguém, mas agora sentia prazer em dar o troco. Luiza não parecia ter mudado, apenas envelhecera. Por dentro continuava fria

tanto casar o filho com as amigas ricas da filha que foi capaz de tudo, mas não adiantou. Ele continuava solteiro e agora mais seco. Parecia vazio por dentro.

que isso não a importava. Ela queria o contrato da Free Carnes e de quebra vingança contra a família. Só iria embora quando ela quisesse e nos termos dela. O dia da revelação iria chegar.

Uma ironia da situação é que o restaurante era ponto de encontro dos diretores da empresa dele e também forneciam as refeições quando não podiam vir ao local. Ela ficaria em contato direto com as pessoas que eram responsáveis pelos contratos. Podia ouvir suas conversas.

meio de espionar o que acontecia, não havia. Eles não faziam ideia de que ela compreendia e muito bem, todos os termos e assuntos que eles conversavam tranquilos enquanto ela os servia. Era perfeito e tinha sido Mathias quem a colocara ali.

Ela sendo sorridente e agradável descobriria muita coisa. Era questão de tempo conseguir o que viera buscar. Sem saber, ele a havia colocado no melhor lugar para ver o jogo.

três dias seguidos ele aparecia, sentava na outra área e fazia a refeição. Notava seus olhos grudados nela, a acompanhando, mas não a chamava. Ela se perguntava o que ele

o tempo para bisbilhotar e descobrir coisas interessantes. Mathias não estava agradando aos diretores e planejavam uma reunião para afastá-lo do cargo por um tempo. A empresa passava por um momento delicado no mercado. E esse tipo de gente detesta perder dinheiro, ainda que tenham

foi entregar um pedido direto na empresa, apesar de seu coração bater forte por pisar ali tantos anos depois, ela seguiu com seu disfarce de garota pobre e trabalhadora. Estava ali apenas para entregar o pedido feito no restaurante. Colocou sua cara mais inocente e um sorriso gentil carregado de palavras

na sala onde alguns dos membros conversavam enquanto ela separava os pedidos. Nem lhe deram atenção. Isso lhe permitiu ouvir sua conversa como se estivesse interessada apenas em

corja de gente ruim mesmo. Ali apenas dois deles não eram parentes de Mathias, mas ainda assim queriam seu afastamento. Ela chegou a ver o painel de estatísticas de produção montado na sala e gostou de ver que se aproximavam de um período crítico. Essa informação valia muito e estava recebendo de