Nosso Passado Capítulo Cinco - 5

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Parte 5...

— Eu sei - ele suspirou fundo e passou os dedos pelo cabelo — Mas eu não posso evitar de desejar você, Anelise - confessou a contra gosto — Eu não queria - ele fechou os olhos — Mas até hoje nenhuma foi melhor do que você - voltou a cabeça para ela e a mirou calado por um instante, observando sua feição — Nenhuma me fez esquecer você.

O modo como ele falou a tocou forte. Respirou fundo e cravou as unhas na perna para não se abalar e demonstrar. Eram só palavras Ele era muito bom com palavras. Para o bem e para o mal.

— Isso é só luxúria, Mathias, só desejo carnal - ela disse devagar — Você sempre foi intenso em suas emoções. Sempre foi determinado em ter coisas que o agradavam - mexeu os lábios de um lado para outro — Eu era só mais uma coisa que você queria, por isso não fui o bastante. Era passageiro.

— Não me recordo de você ter reclamado antes - ele criticou.

— Porque eu era uma adolescente boba e apaixonada e que só queria agradar você.

A confissão o pegou de surpresa. Sabia que ela o queria, mas ele não achava que ela saberia o que era amor. Pensava que a atraía apenas por ser bonito e rico.

— Você era tão apaixonada por mim que transou com Jonas... E depois com Novaes - disse rouco.

Ela pensou em ser grosseira ao rebater, mas mudou de ideia e continuou falando normal.

— Mathias, eu era virgem e apaixonada por você - ela confessou — Não havia outro homem mais perfeito do que você para mim, naquela época - disse com certa mágoa — Nem se fosse para salvar minha vida eu me deitaria com outro. Eu jamais tive olhos para outro homem enquanto estava com você.

Ele sentiu um bolo na garganta. Notou que ela disse “na época” e depois “enquanto estava com você”, o que queria dizer que ela teve outros quando se foi e isso o aborreceu muito. Doeu.

— Então ele deve ter enfeitiçado você para que transassem e aproveitou para pegar a informação do cofre e me roubar - ele disse ácido — Já com Novaes eu não sei explicar - deu de ombro — Estava bêbada ou drogada? - ela arregalou os olhos — Não sei até hoje o que a fez me trair de tal forma.

— E você queria mesmo saber? - seu tom de voz era triste e baixo — Por acaso tentou raciocinar todo o evento ocorrido? - ele ficou calado — Nunca roubei nada na vida e não começaria justo com você. E o Jonas devolveu - ela fez um gesto de aspas com os dedos — O tal suposto roubo, não devolveu? E sua mãe, nem mesmo a sua irmã, o processaram, não foi? Não é interessante isso?

Ele engoliu pesado.

que me conte tudo... A sua versão... Sem ninguém para atrapalhar - pediu sincero, com o semblante escurecido pelas lembranças tristes.

- ela se empertigou e deu uma risadinha — Dez anos depois você quer que eu fale?

Eu preciso saber a verdade. Rever você me tirou a pouca paz que eu tinha - enfiou os dedos no cabelo, agoniado — Sinto que vou enlouquecer de vez se eu não souber.

Ela se ajeitou no banco confortável.

Por que não pergunta à sua mãe e à sua irmã? Elas vão poder explicar se quiserem. Só dê tempo para que

propósito. Sabia que

Não adianta insistir em envolver minha família - ele balançou a cabeça — Vocês nunca se deram

Dar bem é uma grande bondade sua - ela riu — Elas me odiaram desde o começo apenas por eu ser pobre - apertou os lábios — Isso é um grande preconceito. Sua mãe era obcecada em fazer com que você se casasse com uma ricaça do meio e sua irmã queria que fosse com uma das amigas dela - riu mais — Você era só um peão no jogo e eu não servia para ser da família... Era a ralé, como elas me disseram com