Cale fechou a última pasta e a deslizou pela mesa na direção de Arsen.
— Já basta. Leio o resto depois.
Arsen assentiu.
— Se precisar...
— Eu sei. — Cale o interrompeu, curto.
Ele já estava pegando o paletó quando o celular vibrou no bolso. Uma mensagem chegou.
Já estou no saguão.
Cale estalou a língua baixinho e digitou de volta rapidamente.
Cinco minutos. Não desapareça antes de eu chegar.
Ele sabia exatamente o tipo de pessoa que o esperava lá embaixo. Paciência não era o ponto forte de Lydia. Um minuto de atraso, e ela poderia ir embora sem sequer olhar para trás.
— Diga a Daven que estou saindo. — Disse Cale, já se movendo antes que Arsen pudesse responder.
O elevador desceu depressa. Quando as portas se abriram, o saguão do Grupo Callister se estendeu amplo e frio, como sempre.
Perto do sofá de couro cinza, Lydia estava sentada com as pernas cruzadas, olhando o celular. Um dos pés descansava preguiçosamente contra o chão, o rosto sem expressão, a imagem exata de alguém esperando.
Como se estivesse ali havia muito tempo.
— Você está atrasado. — Disse ela, sem erguer os olhos quando Cale se aproximou.
— Sua paciência é mesmo curta. — Respondeu Cale casualmente. — Eu disse cinco minutos.
Lydia olhou para o relógio.
— Seis.
Cale abriu um sorriso inclinado.
— Você estava contando?
— Claro. — Respondeu Lydia com frieza. — Não gosto que desperdicem meu tempo.
— Que interessante. — Disse Cale com leveza.
Ele se deixou cair ao lado dela e apoiou a cabeça em seu ombro sem a menor hesitação, sem se importar com a atenção que poderia atrair.
— Considerando que você veio aqui sem eu pedir.
Lydia fechou o celular com firmeza.
— Acabei uma reunião neste distrito. Pensei em te buscar. Não se ache tanto.
— Bom saber. — Cale se inclinou um pouco. — Por um momento, pensei que tivesse sentido minha falta.
Lydia bufou.
— Nos seus sonhos.
Ainda assim, Cale percebeu. A forma como Lydia soltou o ar, um pouco mais aliviada, no instante em que o viu. Aquilo não passou despercebido, embora ele tenha escolhido fingir que sim.
E, por esse motivo, conteve o sorriso.
— Vamos. Não tenho muito tempo. — Disse Lydia, fazendo-o se levantar.
Ela lhe entregou as chaves do carro, ao mesmo homem que era seu parceiro havia quase dois anos.
— Jantar fora? — Ofereceu Cale enquanto a seguia. — Conheço um lugar tranquilo. Não muito cheio.
Lydia balançou a cabeça imediatamente.
— Não.
— Essa foi rápida.
— Porque a resposta é óbvia. — Respondeu Lydia. — Quero ir para casa. Comer em casa.

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