— Senhor Daven. — A voz de Arsen quebrou o silêncio no escritório. — Sua reunião com Mitranesia começa em dez minutos. Já preparei todos os materiais. O senhor já os revisou?
Daven levantou a cabeça, olhou brevemente para Arsen e então balançou a cabeça.
— Apenas resolva isso, Arsen.
Arsen franziu a testa.
— Desculpe, o quê?
Ele se conteve imediatamente, percebendo que algo não estava certo. Pela primeira vez desde que trabalhava para Daven Callister, disciplinado, incansável e obcecado por detalhes, seu chefe parecia completamente... Distraído.
Não, não era a primeira vez.
Aquilo vinha acontecendo cada vez com mais frequência, e Arsen não fazia ideia do motivo.
Daven Callister não perdia o foco. Ele não delegava reuniões assim. E definitivamente nunca parecia tão... Perdido.
Ainda assim, Arsen não teve coragem de questioná-lo.
— Mas senhor, esta reunião é importante. O senhor nunca—
— Eu disse para resolver isso. — Daven o interrompeu, com a voz baixa, mas firme, sem sequer olhar para ele.
O silêncio caiu sobre a sala como uma névoa pesada.
Havia algo no olhar de Daven, perturbado, turvo. Arsen sabia que não deveria insistir, então apenas assentiu com relutância e se virou para sair. Mas, pouco antes de alcançar a porta, ele parou.
Algo o levou a tentar mais uma vez.
E se levasse uma bronca... Paciência.
— Se me permite perguntar. — Arsen começou com cautela. — Está acontecendo alguma coisa?
Daven fechou a pasta à sua frente, a mandíbula se contraindo. Seus olhos se fixaram em Arsen, afiados como vidro. Então ele soltou um longo suspiro e pressionou dois dedos contra a têmpora.
— Não! — Respondeu, seco. — Apenas volte ao trabalho.
Arsen concordou e saiu em silêncio.
Mas era evidente, havia algo muito errado.
Porque Daven não conseguia tirar aquele dia da cabeça.
O dia em que Althea saiu da casa dos Callister.
Aquilo deveria ter sido um alívio. Ele tinha esperado por isso, desejado isso.
Althea não fazia mais parte da família Callister.
Apenas uma estranha novamente, como era antes do acidente que os forçou a se casar.
Agora ele finalmente poderia se casar com Vanessa Blake, a mulher que realmente amava.
Então por que...?
— Droga! — Murmurou, recostando-se na cadeira, os olhos fechados com força. — O que diabos há de errado comigo?
Ele tentou afastar o pensamento, o olhar frio de Althea, a forma como ela saiu sem demonstrar uma única emoção no rosto.
O trabalho ajudava, por um tempo.
Mas a paz nunca durava.
Por fim, ele abriu a gaveta da mesa.
E lá estava.
O envelope marrom.
O emblema do Cartório de Registro Civil estampado ordenadamente no topo. Dentro estavam os papéis do divórcio, o rompimento oficial de qualquer vínculo entre ele e Althea.
Os documentos pareciam zombar dele só por existirem.
E, de repente, a voz dela ecoou novamente em sua mente.
— Resolva o divórcio o mais rápido possível, Daven. Envie para o endereço da Lydia. Tenho certeza de que você não vai demorar muito, certo?
Daven ficou olhando para o envelope por um longo tempo antes de finalmente retirar os papéis.
Tudo estava perfeitamente organizado.
Até mesmo a divisão da parte dos bens de Althea havia sido cuidadosamente detalhada.
Tudo o que ele precisava fazer era assinar.
Deveria ser fácil.
Era isso que ele queria.
O casamento dos seus sonhos com Vanessa aconteceria em poucos dias. Ele deveria estar feliz.
— Ela é elegante, equilibrada e surpreendentemente perspicaz quando se trata de assuntos sociais. A forma como expressa suas opiniões é rara e admirável. — Acrescentou a senhora Yoshida, sorrindo. — Estamos planejando um pequeno jantar com alguns dignitários, e eu ficaria encantada se Althea pudesse comparecer.
Daven não respondeu de imediato.
Um longo silêncio se estendeu antes que ele finalmente falasse.
— Receio... Que não possa garantir a presença dela.
— Oh? — As sobrancelhas da senhora Yoshida se franziram com preocupação. — Aconteceu alguma coisa?
A reação de Daven revelou mais do que ele pretendia, e a mulher mais velha suavizou rapidamente o tom de voz.
— Peço desculpas! — Disse gentilmente. — Talvez eu tenha sido inconveniente.
— De forma alguma. — Respondeu Daven, forçando uma calma que não sentia.
— Eu apenas queria dizer como o senhor é afortunado por ter alguém como Althea ao seu lado. Até meu marido comentou o mesmo.
Daven engoliu em seco.
As palavras dela pousaram em seu peito como um peso pesado e doloroso.
— Obrigado pelo convite. — Disse por fim, com a voz tensa. — Vou repassar a ela.
A senhora Yoshida levantou-se com elegância.
— Por favor, transmita a ela nossos mais calorosos cumprimentos.
Depois que a elegante mulher deixou o escritório, Daven afundou novamente na cadeira.
Seu olhar voltou a ficar vazio.
Como você é sortudo por ter uma mulher como Althea ao seu lado.
As palavras ecoavam sem parar em sua mente, recusando-se a desaparecer.
Sobre a mesa, o envelope de seda azul com o convite para o jantar permanecia intocado, silencioso, mas provocador.
Sua simples presença parecia uma repreensão muda.
Um lembrete de algo que ele talvez já não pudesse mais reivindicar.
E, naquele momento de silêncio absoluto, uma pergunta se elevou acima de todo o ruído em sua mente, mais alta que a razão, mais afiada que o orgulho.
Onde você está agora, Althea?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Arrependimento Dele - Ex-Marido Me Quer de Volta
Tô super indignada cm esse livro. Nossa cm pode o cara tratou ela cm um ND . Aí ela encontrou um homem pra dar TD o q o outro não fez. E aí a autora decidiu matar o homem q a ajudou a se sentir viva e colocar novamente o daven . Como pode o chese morrer pra q daven fosse feliz novamente . Nossa eu nka li um livro e sentir tanta repulsa. Pq o devendo mereceu felicidade enquanto q foi suporte e afeto teve q morrer. Nossa tô frustrada de verdd...