Oscar ergueu lentamente a cabeça. Sua respiração estava irregular, o peito subindo e descendo de forma desigual.
— Se você se recusar... — Continuou Cale, a voz calma, sem qualquer ameaça explícita, o que de alguma forma a tornava muito mais aterrorizante. — Nunca deveria ter pensado em recusar desde o início. Você se lembra de que seu filho ainda está aqui, não lembra? E não posso garantir o que vai acontecer depois disso.
Oscar fechou os olhos com força. Lágrimas escorreram, uma por uma, em silêncio.
— Tudo bem... Tudo bem. — Disse por fim, pouco acima de um sussurro. — Eu vou ligar.
O celular foi colocado em sua mão. A tela se acendeu. Os dedos de Oscar tremiam enquanto ele digitava o número que sabia de cor, o número que havia sido, por muito tempo, sua salvação e sua maldição.
A linha chamou.
Uma vez.
Duas.
— Quem é? — A voz do outro lado finalmente surgiu, neutra, cautelosa.
Cale fez um sinal para sua equipe.
O rastreamento começou.
Oscar engoliu em seco.
— Harold... — Disse, rouco. — Sou eu.
Silêncio.
Então veio uma breve expiração, seguida de uma risada baixa.
— Oscar? — A voz soava surpresa, mas não preocupada. — Ligando a uma hora dessas?
— Desculpe incomodar. — Respondeu Oscar rapidamente, forçando o tom a soar familiar. Normal. Sem tensão. Até lutou contra a dor ao redor da boca. — Só queria confirmar se o último relatório sobre Jiangshe chegou até você.
Uma breve pausa.
— Ah. — Harold riu suavemente. — Então é sobre isso.
Oscar engoliu em seco.
— Eu não recebi nenhuma confirmação posterior. Pensei... Que seria melhor ouvir diretamente de você.
— Você se preocupa demais. — Disse Harold com facilidade. — Tudo está saindo conforme o plano. Até melhor do que eu esperava.
Oscar fechou os olhos por um momento.
— Então... Não há mais complicações?
— Complicações? — Harold soltou uma pequena risada. — Não resta nada que possa ser chamado de problema. O conselho de comissários já está do lado de Bret. As coisas por lá estão resolvidas. Jiangshe agora está totalmente sob o controle certo.
Oscar assentiu, embora Harold não pudesse vê-lo.
— E... O CEO Callister?
— Aquele desgraçado? — Harold bufou. — Estão ocupados demais apagando os incêndios que comecei com os próprios relatórios deles.
Oscar escolheu as palavras com cuidado, com medo de fazer a pergunta errada ou enrolar de forma óbvia demais. Um deslize, e Harold desconfiaria. E então o objetivo de Cale, identificar a localização exata de Harold, poderia falhar.
— Ouvi dizer... Que houve uma atenção especial de partes externas.
— A promotoria? — Harold o interrompeu calmamente. — Claro.
Oscar prendeu a respiração.
— Então... É verdade?


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