— Assim como?
— Sendo... Calorosa com estranhos.
Lydia mastigou devagar antes de responder.
— Não. Eu sou seletiva.
— Então por que comigo?
— Não sei. — Disse Lydia, com leveza. — Talvez destino?
Aquela resposta deixou Naomi em silêncio.
Para mudar o clima, Lydia começou a falar sobre pequenas coisas comuns. Sobre uma mulher chamada Althea que, na opinião dela, era paciente demais para qualquer ser humano normal. Sobre crianças que deixavam a casa barulhenta todas as manhãs. Sobre uma garotinha que certa vez cortou as cortinas porque queria fazer uma “janela nova”.
Naomi finalmente riu de verdade.
— Isso realmente aconteceu?
— Infelizmente, sim. E as cortinas eram caras. Claro que o pai dela não ficou bravo. Ele adora a filha.
— Garotinha sortuda. — Disse Naomi, com um sorriso discreto.
— Se você soubesse pelo que essa menina realmente passou, talvez não dissesse isso com tanta facilidade. Mas sim...
O sorriso de Lydia se suavizou.
— Você está certa. Ela é uma garotinha sortuda.
Naomi quis perguntar mais, mas pareceu indelicado. Em vez disso, apenas disse:
— Você tem uma vida animada.
— Eu tenho uma vida barulhenta. — Corrigiu Lydia. — Às vezes cansativa, mas agradável.
Naomi olhou para ela com olhos gentis.
— Parece abençoada.
Lydia tinha acabado de erguer a xícara de chá, mas parou por um instante. Então riu baixinho, embora desta vez houvesse algo diferente por trás do som.
— Se tivéssemos nos conhecido alguns anos atrás, você não diria isso.
Naomi franziu a testa.
— Por quê?
Lydia se recostou na cadeira. Pela primeira vez naquela manhã, o brilho em seu rosto foi diminuindo pouco a pouco.
— Eu quase morri uma vez. — Disse, com calma.
Naomi congelou.
— Foi um acidente grave.
Lydia olhou pela janela em vez de olhar para ela.
— O carro capotou várias vezes. Ainda me lembro do cheiro de gasolina, do som de vidro se quebrando e daquele tipo de medo que fazia meu corpo se recusar a se mover.
Ela deu um pequeno sorriso sem humor.
— E, claro... Sangue por toda parte.
Ela disse aquilo com leveza, mas, em sua mente, a lembrança voltou vívida outra vez. Se não fosse pela misericórdia de Deus, ela jamais estaria sentada ali agora.
— O engraçado é que eu não tinha medo de morrer.
A voz de Lydia ficou mais baixa.
— Eu tinha medo de que ninguém soubesse que eu ainda estava viva.
Naomi ouviu sem piscar.
— Eu sobrevivi. Mas, depois disso, minha vida virou uma bagunça por bastante tempo.
Lydia girou lentamente a xícara de chá em suas mãos.
— Então, quando você diz que minha vida é abençoada... Talvez isso seja verdade agora. Mas nem sempre foi.
— Sinto muito. — Sussurrou Naomi.
— Pelo quê?
— Falei como se tudo tivesse vindo fácil para você.
— Você não precisa se desculpar.
Lydia se inclinou levemente para a frente.
— Na verdade, tem uma coisa que quero que você saiba.
— O quê?
— Pessoas que parecem perfeitamente bem muitas vezes foram as primeiras a se quebrar.
As palavras entraram silenciosamente no peito de Naomi e pousaram exatamente onde doía. Ela baixou o olhar, lutando contra as lágrimas que ameaçavam voltar.
Lydia sorriu, então empurrou o prato de frutas na direção dela.
— Agora coma mais dois pedaços. Isso faz parte da terapia.
Naomi limpou rapidamente os olhos.
— Você sempre estraga momentos sérios, não é?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Arrependimento Dele - Ex-Marido Me Quer de Volta
Tô super indignada cm esse livro. Nossa cm pode o cara tratou ela cm um ND . Aí ela encontrou um homem pra dar TD o q o outro não fez. E aí a autora decidiu matar o homem q a ajudou a se sentir viva e colocar novamente o daven . Como pode o chese morrer pra q daven fosse feliz novamente . Nossa eu nka li um livro e sentir tanta repulsa. Pq o devendo mereceu felicidade enquanto q foi suporte e afeto teve q morrer. Nossa tô frustrada de verdd...